Numa das variedades do Transtorno de Pânico, além do medo das reações do corpo, há um fator adicional, onde estar acompanhada de alguém de confiança pode fazer muita diferença. As pessoas deste grupo geralmente se sentem mais vulneráveis a ter crises de pânico quando estão sozinhas e são muito sensíveis a separações e ameaças de separação.
Vamos encontrar muitos traços desta ansiedade de separação que vem da infância, podendo ter diminuído ou sumido por anos, mas que reaparecem com o Pânico. É comum que durante a terapia a pessoa vá lembrando de medos da infância, como medo de perder um dos pais, de ficar sozinha, de dormir sozinha, etc.
Para uma criança muito pequena o abandono poderia representar a morte, o que justifica o intenso estado de angústia e desespero que poderia se ativar nesta situação. No entanto, a mente da pessoa adulta com Transtorno do Pânico parece reagir do mesmo modo, com ansiedade e forte sentimento de vulnerabilidade quando se vê sozinha.
No trabalho com adultos com Pânico precisamos ajudar a pessoa a lidar com esta ansiedade de separação e com este medo de ficar sozinho. Em parte isto implica em retomar e elaborar traumas relacionados a abandono, perda de confiança e isolamento, sendo que alguns destes traumas têm origem bem precoce, na infância.
Porém, uma meta importante é ajudar a pessoa a experienciar a solidão e viver a solidão como uma experiência suportável, uma experiência que pode ser desagradável, emocionalmente dolorida e produzir ansiedade, mas possível de ser vivida sem levar ao desespero e ao pânico. Esta é uma das metas de uma psicoterapia para pessoas com Pânico.

4 Comments
  1. sofia

    Boa tarde!sou de portugal, tenho 21 anos e à 3 anos que soube que sofria de crises de ansiedade. Na altura tive com depressão também. A cerca de um ano e meio consegui dar a volta por cima e ficar bem, no entanto à uns meses tive uma “recaída”. É agora ainda mais difícil para mim conseguir ultrapassar isto porque sinto-me revoltada por voltar a estar em baixo, por deixar que isto me voltasse a assustar. Agora, além de medo ,sinto raiva! Sinto-me muito revoltada por saber que o que sinto não tem sentido, que não vai acontecer nada catastrófico, mas isso só me faz sentir ainda pior! enfim, quero dizer-lhe que depois de ler os seus textos compreendi-me melhor, e espero que ajudem a fazer-me sentir melhor! Aconselhei a minha família a ler, pois penso que além das pessoas que sofrem de crises de ansiedade também as pessoas à sua volta devem saber o que é esta doença, de que modo se manifesta, como nos faz sentir, etc.. Lembro-me que quando me disseram que sofria de crises de ansiedade e fui pesquisar na internet (pois não sabia nada do assunto, nunca tinha ouvido falar) não encontrei praticamente nada que me esclarecesse. Estes textos dão um excelente apoio a quem está a passar por isto pela primeira vez e se quer compreender! Obrigada

  2. Elisabeth

    Dr

    a Yoga pode substituir a psicoterapia, no tratamento da sindrome do pânico, ou não?
    Minha mãe esta com a sindrome e fomos a um renomado psiquiatra que a medicou, porem, busco alternativas para que ela venca a ansiedade e volte a ficar bem.
    obrigada

  3. marcela

    doutor
    tenho sindrome do panico a 3 meses, meu marido se envolveu em uma enrrascada e eu me via morta todos os dias!!
    fiquei traumatizada e agora desenvolvi essa doença que parece ser interminal!
    tenho medo ate de ir no portão de minha casa, fico tonta e nao consigo respirar…
    nao vou mais na rua e nem recebo mais visitas
    por que isso nao quer acabar!

  4. Thiátira

    Essa questão do toque faz parte da minha realidade. Qdo estou em crise o mais desejo em todo mundo é estar junto da minha, deitada no colo dela, sentada ao lado, de qualquer maneira, contanto que haja o toque… Assim eu me sinto intensamente protegida e amparada. Com outras pessoas de meu convívio próximo tbm me sinto bem, mas com minha mãe é diferente, é como seu toque uma necessidade fisiológica.

    Desejo mais muitos anos ao blog!!!
    Amo tudo que leio aqui, dos textos aos comentários. Eu faço terapia comportamental e medicamentosa, mas o blog tbm me ajuda muito, é como se todos os textos falassem diretamente pra mim, eu me encontro em todos eles. Obrigada!

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