Precisamos ir além da interrupção dos ataques de pânico

Chega um momento no tratamento do Transtorno do Pânico em que a pessoa não tem mais crises. Ela está livre daqueles ataques de pânico que causavam um sofrimento intenso e limitavam tanto sua vida. Sem dúvida uma vitória muito importante foi obtida. Porém engana-se quem considera que o tratamento psicológico esteja completo com o fim das crises.

O que a observação clínica aponta é que muitas pessoas ainda continuam a viver limitadas por outros sintomas de ansiedade, não tão agudos e dramáticos como os ataques de pânico, mas ainda assim produtores de considerável sofrimento. A pessoa não tem mais crises de pânico, mas continua a apresentar sinais claros de ansiedade: expectativas de que o pior aconteça, medo de sensações e emoções mais intensas, comportamentos de evitação, etc.

Por exemplo, a pessoa percebe que frequentemente está alerta, esperando pelo pior, com pensamentos automáticas negativos e fantasias catastróficas em relação aos eventos de sua vida.

É comum a pessoa ainda se assustar com o que sente, não mais a ponto de ter uma nova crise de pânico, mas o suficiente para ela ficar inquieta e desconfiada de que tem algum problema sério, alguma doença, algum outro problema psicológico.

Livre das crises de pânico a pessoa volta a fazer muitas coisas que não fazia antes, mas é comum manter algumas estratégias de evitação, como evitar alguns lugares ou situações onde a pessoa teme que possa ainda vir a passar mal.

A observação clínica parece indicar que estas pessoas permanecem mais vulneráveis a recaídas após algum evento ou situação estressante. Na verdade elas ainda estavam bastante desreguladas, apenas não o suficiente para apresentar as crises de pânico.

Temos que trabalhar para que a pessoa caminhe além da superação das crises, que possa aumentar muito sua capacidade de tolerar estados de ansiedade, que desenvolva maior capacidade de auto-gerenciamento e mantenha uma sintonia fina com seus processos internos e sua vida.