As pessoas que têm ataques de pânico relatam um sentimento de desamparo e desespero profundos. Elas se sentem a deriva, sem controle, com a sensação de catástrofe iminente.

Esta experiência é tida como estranha pela maioria das pessoas adultas, que não tem lembrança consciente desta experiência.

O que a observação clínica sugere é que a experiência vivida numa crise de pânico possa ter um parentesco com experiências vividas em idade precoce, pelos bebês.

O bebê é totalmente dependente da mãe. Sem a mãe, ou alguém que a substitua, o bebê morreria. Morreria por falta de alimento, por exemplo.
Quando o bebê precisa da mãe e esta se ausenta o bebê chora. Este choro que “chama” a mãe, pode transformar-se num choro de desespero, caso a mãe demore a voltar para aliviar o sofrimento que consome o bebê.

Esta resposta emocional intensa pode estar impressa no cérebro emocional desde tempos remotos, quando habitávamos as savanas africanas. A ausência prolongada da mãe poderia representar o destino fatal de ser deixado para trás, ser devorado pelos predadores ou morrer de inanição.

Este sofrimento é intenso, desesperador e provavelmente incompreensível para o bebê (investigar o que passa na mente dos bebês é uma das áreas mais interessantes de pesquisa em Psicologia).

A sensação de desamparo e desespero vividas por alguém que tem uma crise de pânico parece ter algumas semelhanças com esta experiência do bebê.
O adulto logo busca um sentido para seu sofrimento e sua mente é povoada de interpretações catastróficas para o que vive: estou tendo um ataque cardíaco, vou morrer, vou desmaiar, etc. Quanto mais acredita nestes pensamentos negativos, mais fica ansioso e se desespera.

O que pessoa precisa é aprender a suportar este desamparo, esta angústia sem nome e sem sentido que a toma. Se para o bebê este estado poderia representar a morte, para o adulto em pânico poderia significar um grande sofrimento, porém passageiro e para o qual vai aprendendo a tornar-se cada vez mais tolerante.

12 Comments
  1. Carla

    Nossa!!!!!
    Como seus textos nos faz repensar…
    Todo dia é uma luta para combater essa ansiedade, essa sensação de desmaio, de morte. Porém, já me convenci do inevitável, um dia todos morreremos. Então não adianta sofrer por antecipação, não é toda dor no peito que é infarto, nem toda dor de cabeça é avc. Nossa capacidade de sobrevivência é muito maior do que pensamos qdo estamos em crise. Qdo sinto uma nova crise, lembro que já “morri” várias vezes antes assim e estou viva!
    Lembremos – SOMOS MUITO MAIS FORTES DO QUE IMAGINAMOS.

  2. catarina

    ola…
    eu tambem tenho ataques de panico, e estou com muita dificuldade em ultrapassar tudo o que sinto. os meus primairo sintomas foram: suores frios, tremores, coraçao acelarado, falta de ar, sensaçao de desmaio, um desespero muito grande…senti que estava a chegar a minha e que ia partir…isto repetiu-se nos dias seguintes. fui varias vezes as urgencias mas so me receitavam calmantes e nao me explicavam o que eu tinha. eu sentia que estava a ficar louca e so queria que me internassem nem que fosse num ospicio, pois eu queriaa era ficar boa. um dia pedi ajuda a um medico amigo, ele viu o tao grande que era o meu desespero de nesse mesmo dia levou-me a um psiquiatra, ai sim explicaram me o que eu tinha. (ataques de panico e muita ansiedade). ja se passou um ano e continuo a ser acompanhada e a tomar medicamentos. ja aceitei a doença mas ainda me custa lidar com isto. os sintomas agora sao outros: sinto um peso no estomago, um aperto no peito e por vezes um ardor muito grande que vai da barriga ate ao peito…as vezes parece que estou arder por dentro.
    tento me acalmar digo pra mim mesma que nao é a primeira vez que isto acontece, e que nunca morri por causa disto e entao depois passa…mas ate quando isto vai durar? tenho medo de morrer e de nunca ficar boa. 🙁

    • Carla

      Catarina,

      Vc não irá morrer com as crises. Esse foi o passo mais importante que aprendi.
      Um amigo, já em tratamento, qdo descobri meu problema, me disse isso.
      E assim, ganhei a “chave” da minha propria cura.
      Procure um psiquiatra, talvez vc precise de medicação para se autocontrolar. Mas, não esqueça que irá depender muito mais de vc do que da droga.
      Boa sorte!

    • À 26 anos tive minha primeira depressão, seguinda ao Panico, meus filhos ainda eram pequenos e o desespero foi muito grande, os sintomas realmente são horrivéis, naquela epoca cheguei a me afastar das crianças, pensando que ia morrer e eu ainda trabalhava em um hospital cardiologico era atendente e recebia pessoas com inicio de infarto e qdo voltava para casa, sentia no meu corpo as mesmas coisas que ouvia dos pacientes, dores no peito, sudorese, meu estomago crescia, tinha enjoos e não comia, tinha medo até de tomar agua. Fui tratada pelos medicos com quais trabalhava e começei a tomar ansiolitico,antidepressivo mas não resolvia até que aceitei a morte e deixei de correr atrás de pronto socorro já que era para morrer, que fosse…..aos poucos fui melhorando e voltei a ter uma vida normal. Só que hoje depois desses anos todos, meus filhos cresceram casaram e me vejo sozinha com meu pai de 95 anos e voltei a ter os sintomas novamente, esta sendo horrivél, sozinha com a boca seca, as palpitações e o estomago estufado…..Não sei se é o panico de volta ou a idade que já esta me dando sinais.So sei que estou apavorada e sem poder correr atráz de socorro, estou em uma prisão domiciliar, não saio, não dou sequer um sorriso, é o fim?……ou a coisa que voltou?

  3. Francisco Moreno - Londrina-Pr

    Parabéns pelas análises. Li também alguns artigos seus, para entender alguns sintomas que estou sentindo de ansiedade.
    Um grande abraço.

  4. Stefano

    Acompanho sempre seu blog dr. Artur, muito bom..tenho problemas de ansiedade, e ja tive sindrome do panico, hoje levo uma vida tranquilissima, me tratei so com algumas sessões de terapia, percebo que muitas pessoas aqui cometem o mesmo erro que eu cometia , por isso não se curam..o erro é querer controlar o problema, quero se livrar do problema, enfim.Façam o contrario , deixe o problema pra lá, ainda sinto os sintomas da ansiedade ( formigamentos, aceleração cardiaca , etc) minha postura diante disso foi o que mudou, não me importo com isso, nem luto contra, deixe os sintomas a vontade…ai alguem vai perguntar : e seu eu morrer ? Eu te responderei , alguem vai enterrar, pronto..simples assim, TODO MUNDO VAI MORRER….e pronto , não tem como controlar isso, só aceitar e viver a vida..

  5. VERONICA

    TENHO CONSTANTES RECAÍDAS.CHORO MUITO.QUANTO MAIS VEJO QUE ESSE MAL ASSOMBRA OUTRAS PESSOAS MAIS ME SINTO TOCADA.DESISTIR COM CERTEZA SÓ VAI PIORAR AS COISAS

  6. Cristina Santos

    Doutor,
    Minha mãe tem 75 anos e apresenta os sintomas de sindrome do panico, ninguem mais tem paciencia com ela, a vida de todos é um inferno. Gostaria de ajuda medica, poderia me indicar no Rio de Janeiro. Grata.

  7. Will

    Há 3 anos sofro disso, sou muito orgulhoso e queria conseguir me livrar do problema sozinho. No entanto, foi ficando cada vez mais forte, muito forte. Não cheguei a desmaiar, mas cheguei perto várias vezes. O jeito foi procurar um psiquiatra indicado por uma médica que me acompanha num tratamento de um problema inflamatório que tenho no intestino, um dos fatores que me levou a começar a ter esses ataques.

    Enfim, tenho isso há 3 anos, faz cerca de um ano e alguns meses que procurei um psiquiatra, fui, falei algumas coisas, os sintomas, me receitou um remédio “Tolrest” e tudo bem. Tomei durante uns 4 ou 6 meses. Mas não queria ficar dependente do remédio e outra, nem ao menos me livrou do problema, diminuiu um pouco. Resolvi largar o remédio e não voltei ao médico.

    Quase um ano se passou, tentativa foi em vão, não consegui mais uma vez me livrar do problema. E lá vou eu novamente no meu limite consultar o médico. Receitou o mesmo remédio com uma dose um pouco mais alta. Bem, faz alguns meses e aqui estou, pela primeira vez procurei esse assunto na internet. Cheguei a pensar que eu tinha algum problema respiratório, porque na maioria das vezes começa com a falta de ar. Mas acredito que seja transtorno de ansiedade. Tenho isso em viagens médias ou longas de ônibus/carro, onde começo a me apavorar por um começo de falta de ar, e não tem como eu sair do veículo no meio da estrada, me desespero e aguento firme, e a sensação ia… voltava… ia… voltava… é uma luta contra eu mesmo. Chega a ser ridículo. As pessoas tranquilas ao meu lado e eu me matando para ficar consciente e calmo. Hoje mesmo, não consegui dormir, vou ao trabalho que nem um zumbi. Para a faculdade pior do que um zumbi.

    Eu sei dos principais fatores que me levaram a ter esse problema. Não sei como vou me livrar dele. O psiquiatra me desapontou, esperava alguém com extrema sabedoria, mas é mais um que está ali para ganhar seu pão de cada dia. Vou ver se vou a algum psicólogo, talvez ajude. Mas, meu orgulho não deixa, só que as vezes, quando estou quase perdendo os sentidos, me faz lembrar. Cara… você precisa de ajuda, deixa esse teu orgulho um pouco de lado e vá se tratar maldito!

  8. Will

    “O adulto logo busca um sentido para seu sofrimento e sua mente é povoada de interpretações catastróficas para o que vive: estou tendo um ataque cardíaco, vou morrer, vou desmaiar, etc. Quanto mais acredita nestes pensamentos negativos, mais fica ansioso e se desespera.”

    Exatamente. É isso que na maioria das vezes me acontece. Sou o meu pior inimigo, lamentável. É rir para não chorar… chorar, tá aí algo que não me permito. Mas depois dessas sensações terríveis, dá vontade, mas me mantenho.

  9. Sueli J B

    Olá….hoje estou remexendo a internet porque toda vez que tenho crises de pânico fico procurando ler sobre o assunto e quem sabe alguém me dar uma luz….Tive minha primeira crise aos 24 anos em casa quando estava pronta para dormir. Não tinha ideia do que estava acontecendo parecia que ia infartar mas ao mesmo tempo um desespero imenso me dominou e comecei a correr pela casa chorando parecia que tinha que fugir.Meu marido não sabia o que fazer . Depois desse dia minha vida mudou. Não consegui mais andar em ônibus coletivos e me apavoro se ficar presa no congestionamento…já cheguei a descer do carro e sair andando. Já fiz tratamentos com medicamentos que só me engordaram e me deixavam com muito sono o que trouxe mais resultado foi a psicoterapia mas é aquela coisa tem dias que estou ótima e tem dias que estou péssima.Nesse período tive um filho e engraçado que durante a gestação não tive nada estava perfeito e não tive depressão pós parto. Meu pânico acontece em lugares fechados e lotados de onde não posso fugir e tenho medo de desmaiar e passar vergonha, como já aconteceu. Hoje tenho 35 anos e ontem tive uma crise durante uma entrevista de emprego e depois várias dentro do ônibus …. que vergonha…. o pior são os olhares preconceituosos…parece que sou desequilibrada diante dos demais….então escondo de todos meu problema.Outro dia comente com uma prima a respeito dessa síndrome e ela sem saber do meu caso disse que na opinião dela isso é coisa de gente frustrada e louca… sei que não sou anda disso….mas fico muito chateada….rezo todos os dias para Deus me mostrar uma solução porque isso é mais forte que eu , que meus pensamentos….

  10. Deliane

    olá, tenho 26 anos e ssofro da cintrome do panico, estou procurando falar mais sofre esta doença, e ler coisas boas como achei aqui. tenho certeza que isso vai me ajudar bastante.
    para quem ainda nao conhece yoga isso ajuda muito a controlar a ansiedade. pratico e adoro, consigo controlar a minha respiração e nao hora de uma crise consigo muitas vezes controlar com a respiração. fica a diga de seguir as coisas boas deste blog e a pratica de yoga.Deliane

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