Ansiedade e Transtornos Mentais em São Paulo

Numa entrevista ao programa Canal Livre da TV Bandeirantes no último domingo, comentei uma ampla e importante pesquisa científica publicada recentemente que avalia a incidência de transtornos mentais na região metropolitana de São Paulo.

Os resultados da pesquisa são preocupantes. Estima-se uma incidência de 30% de transtornos psicológicos na população da região metropolitana de São Paulo, sendo um terço deles em grau severo e a maioria sem estar recebendo nenhum tratamento.

São Paulo é o lugar com maior incidência de transtornos mentais quando comparado a outras regiões metropolitanas pesquisadas ao redor do globo.

A maior incidência é de 19,9% transtornos de ansiedade, seguido de 11% para Transtornos de Humor, 4,2% para Transtornos de Controle do Impulso e 3,6 % para Abuso de Substâncias.

Estes dados apontam para os efeitos da violência urbana sobre a saúde mental. Fatores como criminalidade, trânsito, poluição, desigualdade social, entre outros, parecem estar nos tornando mentalmente doentes.

Devemos ter claro que num transtorno mental, parte do funcionamento mental é capturado pelo sofrimento.

A pessoa é dominada por pensamentos distorcidos, preocupações excessivas, emoções desreguladas (medo, raiva, tristeza), sensações ruins, apatia, desespero, desamparo, comportamentos destrutivos, etc

O sofrimento psicológico consome parte preciosa da vida que poderia ser vivida de outro modo.

O sofrimento psicológico é um fator de empobrecimento vital, limitando drasticamente a capacidade de realização do potencial de cada um. Muito tempo é perdido, muita energia criativa é desperdiçada.

Os transtornos psicológicos são um dos problemas mais sérios da atualidade, o inimigo silencioso, que vai escravizando a alma, corroendo a qualidade dos vínculos, das famílias e dos ambientes sociais.

Dados da Pesquisa:
Andrade LH, Wang Y-P, Andreoni S, Silveira CM, Alexandrino-Silva C, et al. (2012) Mental Disorders in Megacities: Findings from the São Paulo Megacity Mental Health Survey, Brazil. PLoS ONE 7(2): e31879. doi:10.1371/journal.pone.0031879

por Artur Scarpato