Remover a Espuma para Chegar a Raiz da Dor

Há um caminho terapêutico eficiente na terapia dos Transtornos de Ansiedade, como a Síndrome do Pânico (Transtorno do Pânico) e a Fobia Social.

Quando se sente ansiosa, a pessoa fica aflita e vive lutando contra com o que sente – os sintomas da ansiedade – como se estes fossem sinais de um perigo iminente.

Porém, quanto mais alguém luta contra a ansiedade, mais ansioso se sente, mais sintomas tem, e logo mais ameaçado vai se sentir por aquele estado que tenta evitar. Esta batalha contra a ansiedade é uma batalha fracassada.

O verdadeiro caminho de recuperação é oposto e até contra-intuitivo. A pessoa quer se afastar do que sente, mas o que realmente ajuda é aprender o modo certo de se aproximar da experiência ansiosa.

Primeiro, é necessário perder o medo das reações corporais. Reações que acompanham um ataque de ansiedade como taquicardia, falta de ar e tontura são desconfortáveis, mas não precisam ser vividos como perigosos.

Geralmente a pessoa vive estas reações como alarmantes e desesperadoras, acompanhadas de pensamentos automáticos negativos de que poderiam trazer consequências catastróficas. Esta aversão e medo precisam ser transformados. Há estratégias e técnicas para isto.

Por exemplo, através de técnicas de exposição gradual às reações corporais temidas é possível transformar a relação com estas sensações e aumentar a tolerância a ansiedade. Este processo pode começar com um treino onde se aprende a observar os sinais da ansiedade sem tentar controlá-los. Observar e aceitar.

Depois se parte para técnicas que produzem – gradualmente – aquelas reações temidas. Este processo gradual e controlado vai produzindo uma reaprendizado sobre a ansiedade e todas as reações corporais concomitantes.

Após esta etapa de exposição interoceptiva – exposição as sensações corporais – há um aumento significativo na tolerância aos sintomas da ansiedade, geralmente com uma diminuição significativa na ocorrência de ataques de ansiedade.

Porém, nesta etapa, os ataques continuam a ocorrer esparsamente e a pessoa ainda se sente um pouco vulnerável e insegura. Neste momento intermediário da terapia vamos partir para um mergulho mais profundo nas fontes reais das crises de ansiedade.

Quando não são mais as reações do corpo que ameaçam, chegamos mais próximos das raízes das crises de ansiedade: a ameaça trazida por estados psicológicos profundos de vulnerabilidade. Estes estados são compostos de sentimentos antigos e experiências intoleráveis que não foram bem assimiladas. Através de técnicas específicas, é possível ir se aproximando destas experiências, onde comumente encontrarmos sentimentos profundos de abandono, solidão, fragilidade, desamparo, fracasso etc.

O caminho terapêutico de superação está em ajudar a pessoa a entrar gradualmente em contato com aquelas experiências emocionais. Aquilo que era estranho, indizível e insuportável, vai podendo ser experienciado, nomeado e tolerado.

Assim como foi necessário aprender a tornar as reações corporais suportáveis, agora é a vez de tornar suportáveis os estados emocionais e dores psicológicas mais profundas, para que a aproximação destes deixem de disparar reações intensas de ansiedade.

Sempre que estas experiência profundas ameaçavam surgir, o sujeito se assustava com as primeiras reações em seu corpo, sendo enredado por uma espuma de sofrimento superficial que não lhe deixava entrar na raiz mais profunda do problema. Precisamos remover a espuma do medo das reações corporais para ajudar o sujeito a confrontar suas angústias profundas e assim se libertar das crises de ansiedade.

Para percorrer este caminho precisamos de um processo estruturado. Nisto reside a eficácia de um tratamento especializado.

por Artur Scarpato.