Pânico, Excitação Fisiológica e Sentimentos Profundos

Toda pessoa com um Transtorno de Ansiedade como o Transtorno do Pânico costuma apresentar hipersensibilidade a ansiedade, que é um processo de intolerância na qual as reações físicas ou psicológicas que acompanham a ansiedade são vividas de modo aflitivo e interpretadas como perigosas.

É comum o sujeito ficar com medo e aflito com sua excitação fisiológica como batimentos cardíacos, sensações respiratórias, tremores, suor, tontura etc. Esta “hipersensibilidade” leva a tentativas de se livrar das reações ou a se tentar tudo evitar senti-las novamente, como se elas fossem terríveis, abomináveis. Há um aprisionamento num processo de aflição – evitação.

As reações corporais temidas despertam ansiedade e pensamentos negativos sobre o que se sente. Porém a ansiedade gera mais reações físicas e estas levam a mais pensamentos negativos, num redemoinho sem fim. A pessoa fica aprisionada, tentando evitar o inevitável, pois junto da emoção de ansiedade – assim como de qualquer emoção – sempre haverá excitação fisiológica.

Algumas abordagens de tratamento tentam calar esta voz do corpo, com medicações excessivas ou “técnicas de controle da ansiedade”. No entanto quanto mais se tenta abafar a voz do corpo, mais ele se revolta e grita, pois não se pode calar aquilo que a própria atitude de aversão e medo estão acentuando. Não se vence o medo com mais medo.

Há um caminho terapêutico. É necessário construir uma atitude de enfrentamento do que se sente. Esta nova atitude começa com o cultivo da atenção plena, do claro entendimento e da força interna para fazer a travessia necessária. Este enfrentamento é mais fácil quando feito através de uma estratégia terapêutica planejada e apoiada numa relação profissional de confiança.

Devemos frisar que o cerne do problema da insegurança e ansiedade não está naquelas reações do corpo. A raiz do problema está em sentimentos de desamparo e vulnerabilidade que tem raízes em traumas vividos em outros momentos da vida.

É neste ponto mais profundo que precisamos chegar para que a pessoa enfrente dores que no passado foram intoleráveis, angústias que não podiam ser nomeadas e seus grandes desafios existenciais. Estes elementos agora poderão ser reencontrados, elaborados, assimilados e integrados, permitindo que a pessoa possa se transformar para seguir mais plena em sua vida.

Enquanto não fizer a travessia do enfrentamento das reações superficiais de ansiedade, a pessoa pode ficar anos de sua vida vivendo de modo limitado, com medo das reações físicas, achando que controlar o corpo é suficiente para ficar bom, enquanto o problema está num lugar mais profundo.

É necessário mirar e atingir o alvo certo para evitar o desperdício de tempo, de anos de vida em lutas improdutivas.