Consumo compulsivo: Resposta a um menino de 9 anos

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Este texto foi escrito como resposta a um garoto de 9 anos que me pediu informações sobre consumo compulsivo. Ele estava fazendo um trabalho para a feira de ciências de sua escola. Na falta de um material acessível na hora para lhe enviar, resolvi escrever este texto. 

Consumo compulsivo: resposta a um menino de 9 anos

por Artur Thiago Scarpato

Caro Beto,

O que segue são alguns comentários a partir da minha experiência em consultório.

O consumo esta sempre ligado a objetos desejados. Consumimos o que queremos ter para nós. Um tênis, um videogame, um carro, uma bolsa, um sapato, uma camisa, etc.

O que nos move na direção deste querer Ter ? Porque acreditamos que tendo o objeto desejado, nós Seremos mais felizes…

Observe, Beto, que estamos falando de dois verbos: o verbo TER e o verbo SER.

Ao TER o que queremos, SERemos mais…felizes!!!

Esta é a primeira fórmula que eu queria te mostrar:

o TER promete transformar o SER.

Quando consumimos algo desejado, podemos ter o reconhecimento dos outros por isto; é o que chamamos de status social.

Quando compro um videogame de ultima geração, por exemplo, posso mostrá-lo para os meus amigos, e através dos olhares deles me valorizar junto com o objeto que comprei.

O atributo, o valor que é do objeto (videogame) – ser de ultima geração, moderno, legal – estende-se a mim também, e passo a ser visto pelos meus amigos como legal, moderno, de última geração… E isso vale para o carro potente, o tênis da moda, etc.

De novo a primeira fórmula: o Ter promete transformar o Ser aos olhos dos outros também.

Quando queremos o reconhecimento dos outros, o que no fundo estamos buscando?

Há uma palavra que resume bem o nosso maior anseio, 
a nossa maior busca: AMOR

Queremos ser amados e para isto queremos ter tudo aquilo que nos faça ser mais desejados, mais admirados, mais importantes, mais valorizados…

O objeto de consumo tenta preencher um lugar vazio em nós: o lugar que gostaríamos de ver ocupado pelo amor.

Sabe Beto, a nossa mente é muito ardilosa e aquele objeto de consumo que nos traria o amor dos outros (pelo reconhecimento), passa ele mesmo a representar o amor para nós.

Há uma IDEALIZACÃO do objeto de consumo (tênis, videogame, etc.) que traz junto consigo, na fantasia, o preenchimento de nossa necessidade de amor, de nossa carência.

Aqui está, então, a segunda fórmula:

OBJETO DE CONSUMO é igual a AMOR
Há assim uma mudança de rumo, uma TROCA de uma solicitação de amor por uma necessidade (compulsiva) de consumir e sentir-se provisoriamente preenchido.

Consumir torna-se, nestes casos, satisfazer uma necessidade de amor. Através do objeto de consumo buscamos ser mais amados.

No entanto como o desejo no fundo não é pelo objeto, mas principalmente pela satisfação da carência, o sentimento de plenitude e de vitória não dura muito e logo logo vem o vazio de novo e a sensação de que falta…de que ainda tem aquele outro objeto que eu quero… e aquele outro e aquele outro…sem fim.

Junta-se a tudo isto o fato de que no amor nós precisamos receber e dar, enquanto que consumindo, nós podemos nos satisfazer por iniciativa própria. O que nos coloca aparentemente menos dependente, mas eternamente insatisfeitos e carentes.

Para você entender, compulsão é todo comportamento que uma pessoa faz repetidamente porque não consegue evitar de fazer. Ela sente ansiedade se não fizer, aí acaba fazendo de novo e de novo.

Ansiedade é aquela inquietação dentro da gente que nos deixa um pouco com medo, na expectativa, inquieto, tenso.

Mas ansiedade de consumir? Por que?

Lembre-se que a pessoa está preenchendo uma carência de afeto, de amor, com o objeto de consumo. Logo se ela não consumir, ela vai sentir a DOR da carência, a tristeza de não se sentir amada.

Esta dor ameaça vir à tona e desfazer aquela TROCA na qual a pessoa substituiu a carência de amor pelo objeto de consumo.

Ela precisa então consumir para não sentir a carência.

A ansiedade avisa para ela de que se ela não consumir, algo ruim pode acontecer. A pessoa não sabe o que é, mas consome para diminuir a ansiedade e assim evitar que esse algo ruim venha.

Esse algo ruim é a carência, a tristeza e a raiva de NAO SE SENTIR AMADA.

 Esta Beto, é uma das maiores dores que um ser humano pode vir a sentir. E no entanto, todos nós a conhecemos em maior ou menor grau em alguns momentos de nossa vida.

Quando não aguentamos essa dor, por ela estar muito, muito forte, colocamos algo no seu lugar para disfarçar a dor; nos casos de que estamos falando, a pessoa consome compulsivamente…

 Quando você estiver lendo isto, gostaria que você buscasse entender junto comigo este comportamento exagerado. Que não considerasse os casos de compulsão ao consumo como se fosse uma doença estranha, mas como um desequilíbrio, que todos nós podemos passar pela vida, em doses maiores ou menores.

Pois assim, compreendendo uma pessoa que está sofrendo, você pode ajudá-la.

Como todo comportamento que causa sofrimento à própria pessoa, este também pode ser tratado (ajudado) . O nome do tratamento é psicoterapia e é feito por um psicólogo – é o tipo de trabalho que eu faço.

Boa sorte,

Respondido em junho/1998 Apenas o nome do menino foi modificado.

Nota: 

O material aqui disponível pode ser reproduzido desde que se faça a referência do autor e da fonte.

 

Modo de citação (ABNT): Scarpato, Artur (1998).Consumo compulsivo: resposta a um menino de 9 anos. Disponível em: <www.psicoterapia.psc.br/scarpato/t_consum.html> Acesso em: dia/mes/ano.
Artur T. Scarpato – Psicologia Clínica – CRP 06/42113
Rua Artur de Azevedo, 1767
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(Próx. da Av. Rebouças e da R. Teodoro Sampaio)
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Última atualização: 06/09/2016

Videogames e Dependência: Quando o Jogar se Torna Perigoso

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Videogames e Dependência: Quando o Jogar se Torna Perigoso *

 Artur Thiago Scarpato**

A vida envolve um processo de pulsação. A partir da pressão de nossas necessidades nos expandimos e nos movemos em direção ao mundo; quando satisfeitos, recuamos e voltamos para nós mesmos. Depois de certo tempo de repouso, com novas necessidades, recomeçamos a expansão, seguida de recolhimento e assim sucessivamente.

Ao longo da vida este processo pode sofrer algumas distorções. Estas alterações resultam em paralisia em algum destes pólos, de expansão ou de recolhimento. Por exemplo, uma certa pessoa paralisa no movimento do recuo e fica constantemente retraída e inibida, enquanto uma outra pessoa paralisa no movimento da expansão e torna-se hiperativa, excitada e agitada na maior parte do seu tempo.

Há muitos modos de distorção da pulsação e nós vamos buscar entender como se dá este processo nas pessoas que se tornam dependentes dos videogames, uma situação que possui várias ressonâncias com outras formas de dependência e que nos ajuda a iluminar algumas coisas da dinâmica geral da adição.

As dependências acontecem com pessoas que se expandem numa situação específica e não conseguem mais recuar e voltar para si. Elas muitas vezes ocorrem com pessoas que eram retraídas em outras esferas da vida, mas que vão além de seus limites nesta nova atividade. Algumas pessoas são capturadas pelas intensidades afetivas da nova experiência e se tornam dependentes. Inicialmente as pessoas se sentem mais vivas quando estão envolvidas com aquilo, mas depois vão se tornando escravas, pois não conseguem recuar, assimilar o que viveram, não conseguem deixar de fazer sempre aquilo.

Comer, praticar esporte, trabalhar, jogar, apostar, consumir, todas as atividades podem assumir uma dimensão explosiva, onde a pessoa passa a fazê-las de forma intensa e repetida e não consegue recuar e ficar sem elas por muito tempo. Aí se inicia um padrão de dependência, também chamado de adição ou mais popularmente, vício.

Muitas atividades podem entrar no circuito da dependência, mas para isto é necessária uma pessoa suscetível, e isto se adquire a partir de uma história de vida que produziu uma distorção do pulso natural entre expansão e recolhimento.

Mas como ocorre o comportamento de adição especificamente em relação aos videogames?

Toda criança brinca de situações de “faz de conta”, brinca de casinha, de boneca, de carrinho, de guerra e de luta. A fantasia e a simulação fazem parte de nossa vida psicológica. “Agora sou um soldado e que vou matar todos os bandidos”. A criança brinca com elementos do mundo adulto (ser policial, ser modelo, ser médico, etc) adaptados para a sua realidade. Neste processo ela encontra um modo de recriar o mundo adulto ao seu modo, dando espaço para viver seus dramas internos e elaborar seus sentimentos. Os videogames permitem a criação de situações de simulação, de faz de conta, porém adaptadas também para os jovens e os adultos.

O sexo virtual não deve ser melhor que o sexo real; participar de uma guerra virtual não deve ser comparável a participar de uma guerra de fato, com armas em punho e presenciando seus amigos sangrarem e morrerem de verdade ao seu lado. Apesar de serem “menos reais” que o real, podem ser experiências bastante intensas, segundo dizem os usuários de games.

A tecnologia permite criar muitas situações “como se”, simulações e criações de realidade através de muitas imagens e sons, que disparam uma miríade de sensações e experiências. Os videogames, os computadores e a internet têm permitido a criação de ambientes cada vez mais fantásticos, onde os recursos gráficos e de multimídia impulsionam as experiências de imersão emocional no jogo.

A intensidade desta “hiper-realidade” pode contribuir para uma pessoa esquecer-se de si mesma, dissociar-se das suas necessidades de alimentação, sono, trabalho, etc, deixando-se absorver pelo mundo fascinante do ciberespaço – os novos ambientes criados pela tecnologia.

Indo além da vida cotidiana através dos videogames, uma pessoa pode experimentar outros tipos de experiências, pode controlar a vida dos personagens num jogo de simulação, arriscar a vida de seu personagem num combate, ir muito além das leis físicas deste mundo, sem os limites frágeis que nossa corporeidade nos impõe.

A dimensão dos fatos reais da vida os fazem únicos e sem volta. Se uma pessoa corre com seu carro numa estrada e bate de frente com um caminhão, dificilmente terá uma segunda chance para experimentar de novo esta emoção, a realidade nos obriga a um nível de responsabilidade sobre a vida que os jogos nos eximem. Dá para se arriscar imensamente nos jogos, dá para se expor, para experimentar. Os jogos nos afastam do horizonte da finitude, eles nos prometem um mundo onde podemos desejar, agir, tropeçar, cair, mas sempre podemos recomeçar em pleno estado de energia.

Os videogames propiciam experiências virtuais cheias de possibilidades, onde é possível ser um outro além de si mesmo, dar vazão a fantasias que não se tornarão realidade e arriscar comportamentos novos. Num certo sentido, os videogames são também exercícios de libertação.

Portanto, o ciberespaço permite experimentações com garantias. Afinal, em última instância, se a coisa ficar muito preta, se eu for morto, se minha cidade falir, se meu império for destruído, posso sair do jogo e tudo voltará ao “normal”. Há uma certa promessa de “superação” das limitações reais da vida, uma negação da morte, permitindo uma experimentação radical e sem efeitos reais. Mas são também estas garantias que podem levar uma pessoa a querer ir sempre um pouco mais e um pouco mais, capturada pelo jogo da simulação. Em alguns casos, a aventura “segura” pode acabar aprisionando por não impor limites. E assim a pessoa vai, vai, e sempre que pode quer ir de novo, sem conseguir voltar, dando alguns passos em direção à dependência. O jogo é sem limites enquanto a vida é uma pressão com limites.

Na dependência a pessoa alcança um estado de preenchimento interno pela atividade que se torna muito envolvente. No jogo há uma suspensão do tempo que não se percebe passar. Em alguns casos o jogar compulsivo pode abafar muitas vozes: o vazio existencial, a falta de sentido, as carências, as frustrações, os sentimentos de inadequação e muitos problemas da vida.

A dependência do jogo pode ser avaliada por alguns sinais, entre os quais a freqüência. Ninguém que é “viciado” joga só de vez em quando, o viciado joga muito e freqüentemente joga bem mais do que pretendia fazê-lo inicialmente. A pessoa tende a comprometer outras atividades em sua vida, como relacionamentos, família, trabalho, escola e outros passatempos. Ela até pensa e tenta reduzir a freqüência com que joga, mas não consegue. Há uma impotência para mudar este padrão. Quando deixa de jogar a pessoa pode sentir-se irritada, desanimada, ansiosa, tomada por uma série de sensações ruins, mal conhecidas dentro de si. O afastamento freqüente de si nos deixa cada vez mais estranhos a nós mesmos. Nestas situações, voltar a jogar permite o abafamento e o alívio temporário deste “mal estar” nunca enfrentado e solucionado.

O comportamento de adição, de dependência, torna-se uma fonte de sofrimento, pois se uma pessoa depende de algo, ela já não faz mais por prazer, mas por necessidade. A pessoa sofre se não jogar e repete exaustivamente seu comportamento de jogar a ponto de comprometer seus relacionamentos, seus estudos, seu trabalho, sua saúde, etc.

O problema não está no videogame, que pode ser uma boa diversão, mas no padrão de uso que se estabelece com ele. Algumas pessoas perdem o controle e passam a ser dominados pelo jogo. Estas precisam da ajuda psicológica, sendo que a dependência é um estado que pode ser superado.

Notas:

*Voltar ao início do texto Este texto pode ser parcialmente reproduzido desde que se faça a referência do autor e da fonte.

Modo de citação (ABNT):

Scarpato, Artur (2004).Videogames e dependência: quando o jogar se torna perigoso. Disponível em: <www.psicoterapia.psc.br/scarpato/t_games.html> Acesso em: dia/mes/ano.

**Voltar ao início do texto Autor: Artur Thiago Scarpato : Psicólogo clínico (PUC SP). Mestre em Psicologia Clínica pela PUC SP. Possui quatro especializações na área de Psicologia: Especialização em Psicologia da Reabilitação pelo HC FMUSP, Especialização em Cinesiologia Psicológica pelo Instituto Sedes Sapientiae, Especialização em Teoria e Técnica Reichiana pelo Pulsar – Centro de Estudos Energéticos e Especialização em Educação Somática Existencial pelo Centro de Educação Somática Existencial. Trabalha em consultório particular com psicoterapia individual e de grupo. Autor de diversos artigos na área.

Artur T. Scarpato – Psicologia Clínica – CRP 06/42113
Rua Artur de Azevedo, 1767
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Última atualização: 06/09/2016

A Psicossomática Reichinana

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A Psicossomática Reichinana *

Artur Thiago Scarpato**
Artigo publicado pela Revista Catharsis n. 28 Nov-dez 1999

A Psicologia tem origens que se perdem nos campos da medicina, da filosofia e da religião. Mas a Psicologia que praticamos hoje, nos consultórios, grande parte dela derivou da medicina no século passado, numa tentativa de dar conta de fenômenos que os recursos médicos não davam conta na época: a histeria, a psicose, etc. Assim Freud, um neurologista, vai se aventurar pelo mundo psíquico. Como ele, muitos outros médicos deram início a algumas das principais correntes da Psicologia.

Neste contexto, é possível entender que a Medicina tente hoje retornar a Psicologia ao Biológico, numa tentativa de fazer o psíquico retornar à sua “origem”, ao cérebro; como se a Psicologia tivesse sido um recurso provisório da medicina, enquanto os avanços das neurociências não pudessem controlar as variáveis anímicas. No entanto parece que o filho cresceu e adquiriu autonomia.

Há uma concepção dualista dominante na cultura ocidental, que separa o corpo da alma. Aliás o dualismo é que tornou possível o surgimento da Psicologia como temos hoje, como ramo terapêutico separado da Medicina. Temos, portanto, a Medicina como ciência que estuda os fenômenos orgânicos e a Psicologia, como ciência que estuda os fenômenos psíquicos.

A própria medicina na antigüidade já foi diferente: em Hipócrates, por exemplo, temos uma concepção psicossomática, onde os sonhos eram usados como indicadores do estado de saúde do sujeito, saúde física e emocional, integradas.

Hoje observamos uma tendência nas áreas biomédicas de explicar os fenômenos psíquicos e seus “distúrbios” recorrendo a modelos de funcionamento bioquímico cerebral e à genética. É um movimento de “biologização” da dimensão psíquica.

Por outro lado, na Psicologia está crescendo uma abordagem dos fenômenos biológicos e das doenças orgânicas, pela recorrência a símbolos, mitos, metáforas e modelos psicológicos. “Psiquizações” curativas, processos de cura e mutações que contrariam a concepção tradicional médica de doença. É um movimento de “psicologização” da dimensão biológica.

Além disso, temos visto o fenômeno das curas espirituais dos problemas do corpo e da alma, contrariando os princípios das ciências psicológicas e médicas. Os “milagres” explicitam um processo de “espiritualização” do psíquico e do somático.

Há portanto movimentos antagônicos de “biologização” do psíquico, “psiquização”do corpo e de “espiritualização” de ambos. A mídia tem refletido estes movimentos de forma interessante, um tanto cindida, onde cada matéria fala das últimas tendências seguidas por uma parcela do público e defendida por parte dos profissionais.

Os caminhos da Medicina e da Psicologia cada vez mais se encontram, se conflitam porque os limites estão ficando tênues, difusos. O avanço dos conhecimentos tanto nas áreas médicas como psicológicas tem permitido vislumbrar conexões antes insuspeitas entre corpo e o psiquismo.

Pesquisas sobre bioquímica, neurotransmissores e genética, demonstram que o chamado mundo psíquico tem fortes raízes no biológico. Avanços na Psicologia desvelam um corpo emocional, erógeno, simbólico que é constitutivo do psiquismo e fortemente ativo nos fenômenos biológicos. Portanto cada área está começando a dar conta de fenômenos que eram da outra área.

Pesquisas recentes têm demonstrado que tanto um medicamento quanto uma psicoterapia “focal” tem efeitos semelhantes sobre o cérebro na cura de alguns transtornos como o Obsessivo-Compulsivo, a Síndrome do Pânico, etc. Estamos falando de uma perspectiva sintomática, pois as implicações psicodinâmicas destes fenômenos têm raízes mais amplas e de difícil mensuração cerebral.

Está havendo também uma cisão no campo do conhecimento, onde a Medicina acadêmica e algumas abordagens na Psicologia cada vez mais se afastam quanto à linguagem, metodologia, objetivos. Valores como auto-conhecimento, desenvolvimento pessoal, desenvolvimento espiritual, estão substituindo na Psicologia o valor médico de cura das patologias.

Não é a abordagem psicológica ou biológica que está certa ou errada; o problema é de outra ordem. O que falta, isto sim, é uma abordagem que lide com a lógica interna da unidade psicossomática.

No entanto, uma perspectiva “de dentro”, “unitária” já foi desenvolvida. Talvez o melhor modelo disso que chamo lógica interna da unidade psicossomática nos tenha sido legada por Wilhelm Reich: a psicossomática em sua funcionalidade.

A abordagem reichiana não busca nem a “psicologização” nem a “biologização”, mas insere um terceiro elemento nesta relação, e considera os outros dois, psique e soma, como derivações da energia. Os fenômenos psicológicos e orgânicos são articulados como manifestações em níveis diferentes de um mesmo princípio comum: a energia orgone. Poderíamos dizer que Reich faz uma“energetização”.

Há uma vantagem epistemológica neste modelo ao permitir operar com a unidade psicossomática. Psique e soma não estão separados, pois apresentam um funcionamento integrado, uma inter-relação intrínseca. Derivam do mesmo princípio comum, são expressões da realidade energética. O corpo sem a psique, o corpo-objeto, desprovido de sua fenomenologia vivencial não é o corpo reichiano. A psique sem corpo, alma desencarnada, não é a psique reichiana.

A energia quando presente no organismo vivo torna-se bioenergia, ou mais precisamente, biopsicoenergia e então, passa a adquirir algumas leis próprias de funcionamento: as leis da unidade psicossomática. Reich faz uma “biopsicoenergética”.

Há também um espaço possível de ver a espiritualidade nesta vinculação energética de todo ser vivo com o cosmos. Reich não segue este caminho, ele era muito comprometido com os valores científicos, mas sua obra permite este salto.

Neste sentido a obra reichiana oferece-se como uma possibilidade de resposta a esta cisão moderna de que eu falava: a aparente incompatibilidade entre a Medicina e a Psicologia, e também com a espiritualidade. Há também uma grande preocupação com as raízes sociais dos problemas emocionais que percorre toda a obra de Reich.

Podemos afirmar que a neurose é um estado de ser comprometido em seus aspectos biológico, psicológico, social e espiritual.

Qual o preponderante? O psiquiatra organicista, o psicólogo, o sociólogo e o padre provavelmente vão divergir na hora de montar uma hierarquia destes fatores.

A obra de Reich é um longo percurso de pesquisas e experiências buscando dar conta de uma concepção de neurose que abarque todos estes terrenos.

EMOÇÃO

 

A conexão corpo-psique deve começar primeiro a ser entendida através do conceito de emoção. Há um plano psíquico e outro somático pelo qual podemos perceber qualquer manifestação emocional. Juntos formam uma unidade funcional. Não existe emoção que não seja manifestação fisiológica e psíquica simultaneamente. Toda emoção acompanha-se de alterações do fluxo sangüíneo, alterações elétricas na superfície da pele, mudanças respiratórias, bioquímicas, posturais, enfim, de mudanças que envolvem o corpo em seus diversos sistemas e aparelhos. Ao mesmo tempo apresentam-se como vivência psíquica, que permite a quem as sente reconhecer o sentido do que está sentindo; se raiva, medo, tristeza, alegria. A emoção, portanto, existe a partir de um movimento corporal interno e da percepção.

No caso da psicose, por exemplo, parece que há uma cisão entre os planos psíquicos e corporais; assim uma manifestação energética emocional não é percebida pelo sujeito como lhe sendo própria. O delírio e a alucinação seriam construções que visam dar sentido a esta excitação que o sujeito sente, mas não consegue reconhecer como sua. Há uma dificuldade na integração entre as vivências psíquica e corporal. Está em ação o que chamamos de couraça vegetativa visual.

No trabalho com pessoas que apresentam traços “esquizo”, é interessante notar como as alucinações diminuem conforme você vai trazendo estas pessoas para a presença no corpo. Ao mesmo tempo vai aumentando o nível de angústia e de excitação emocional que estas pessoas não suportam muito. É um trabalho lento, delicado e difícil.

 

AS FASES DO DESENVOLVIMENTO

 

Há vários recortes possíveis no desenvolvimento infantil. Podemos mapear as fases do desenvolvimento da inteligência, as fases do desenvolvimento motor, as fases de interação e sociabilidade ou as fases do desenvolvimento emocional. Dentro do desenvolvimento emocional realçamos o desenvolvimento da sexualidade na criança. Por que esta primazia do sexual sobre os outros aspectos da vida emocional? Antes de qualquer coisa, é pertinente afirmarmos que quando falamos de sexual, estamos falando de um aspecto que é energético e relacional ao mesmo tempo.

Talvez haja uma única temática que seja comum a todos os clientes e apresente ao mesmo tempo muitas variações na forma com que se apresenta: as questões afetivas do relacionamento humano. O amor – se fosse para resumir em uma única expressão – poderíamos dizer que todos padecemos pelo amor. Basta ouvir os clientes. Ouvir suas queixas, associações, lembranças, seus insights, devaneios, suas imagens, suas dores.

As fases do desenvolvimento afetivo-sexual são cinco: a fase visual relacionada às primeiras semanas de vida, a fase oral, a fase anal, a fase genital infantil e a fase do controle do diafragma ou “fase do poder” que se organiza ao redor dos 7 anos de idade. Estas fases se estruturam primordial mente em torno de zonas erógenas, que por sua vez são zonas corporais. Dizem respeito a vivências corporais erógenas e a modalidades de relacionamento afetivo. As zonas erógenas se diferenciam das outras partes do corpo, pois se constituem também como organizadores psíquicos. Cada fase está relacionada também a uma organização afetiva, motora e cognitiva.

A vivência relacional é uma vivência emocional, portanto psicossomática e não apenas psíquica. Logo não deveria estranhar o fato de eu falar que as marcas destas experiências deixam inscrições corporais tanto quanto psíquicas. A observação do corpo na terapia reichiana ocupa o lugar que a interpretação dos sonhos vai ocupar na visão junguiana. O corpo revela aspectos visíveis do mundo inconsciente.

 

O CARÁTER

 

Na visão reichiana, o caráter é o jeito de ser de cada um e está relacionado à dinâmica emocional das fases do desenvolvimento, à utilização de certos mecanismos de defesa, à estruturação mental de crenças internas, enfim, à um funcionamento energético, emocional e corporal. Há cinco tipos principais de caráter: esquizóide, oral, masoquista, rígido (fálico-narcisista, histérico e passivo) e psicopata. Cada um deles relacionado principalmente a uma das fases do desenvolvimento afetivo-sexual: visual, oral, anal, genital e diafragmática respectivamente.

Quais os traços corporais de uma oralidade, por exemplo? Vamos utilizar um exemplo para tornar as coisas mais claras, acentuando as coisas para ficar mais visível. Um cliente chega ao nosso consultório e numa situação hipotética nós podemos olhar bem o seu corpo antes que ele comece a falar. Observamos os seguintes sinais corporais: apresenta pouca musculatura geral no corpo, tônus muscular alterado na região da boca, fraqueza nas pernas, peito afundado, braços com pouca energia e respiração superficial. Depois conversando e ouvindo esta pessoa percebemos seu jeito de ser: é uma pessoa que se queixa muito, e ser queixoso mostra-se uma característica básica sua. Sempre espera receber tudo dos outros, mas ao mesmo tempo tem uma convicção interna de que nunca receberá o suficiente. Muitas vezes quando recebe, não dá valor a isso e não consegue acolher o que lhe é dado. Vive uma sensação interna de ser injustiçada pela vida. Tem também uma capacidade agressiva fraca, lutando pouco pelo que quer, como se esperasse que as coisas chegassem à ela apenas pelo seu merecimento. É uma pessoa que parece ter uma imagem de si muito valorizada, mas incompatível com a sua realização.

Vamos ficar somente com estas características. Agora vamos tentar “ler” alguns daqueles sinais corporais: Tônus muscular da região da boca alterado: este traço tem o significado mais claro, já que, quando criança, esta pessoa deve ter sentido falta, carência erógena no contato com a mãe na fase oral. A alimentação deveria satisfazer-lhe tanto as necessidades de comida como de afeto. Fraqueza nas pernas: Se a energia ficou aí, paralisada nesta insatisfação oral, menos energia desceu na ativação das pernas e da autonomia características da fase seguinte que é a fase anal. Este traço pode prejudicar o contato desta pessoa com o chão, com a realidade. Peito afundado: o peito afundado reflete o estado de carência de afeto e estas pessoas freqüentemente relatam uma sensação de vazio no peito. Isto pode trazer uma intensa vivência de fragilidade. Braços com pouca energia: os braços indicam baixa capacidade de ação e realização características destas pessoas, o seu baixo nível de agressividade. Respiração superficial: a respiração está relacionada à carga energética e emocional e uma pessoa com fortes traços orais vive num nível energético bem baixo precisando, portanto receber, receber energia, amor, atenção, etc.

Este foi só um exemplo ilustrativo; a oralidade apresenta uma complexidade grande em sua caracterização corporal e suas implicações psicodinâmicas. Normalmente as pessoas apresentam mais de um traço de caráter. Assim, uma pessoa com um caráter predominante rígido pode apresentar também traços visuais e orais. Ou seja, tipos puros são raros.

Há uma relação muito próxima entre os traços corporais e o jeito de ser de uma pessoa, o que envolve a sua modalidade de relacionamentos, os seus afetos predominantes, suas crenças internas, a sensibilidade que essa pessoa tem de seu próprio corpo, sua imagem corporal, sua identidade, sua sexualidade, etc.

O corpo e a postura têm uma relação íntima com os mecanismos de defesa e com as fases de desenvolvimento emocional. É curioso como as modalidades relacionais que se estruturaram na infância passam a fazer parte do repertório automático no dia a dia do adulto, mostrando como ainda está ativa a criança nele. Naquele momento quem está reclamando, quem está se boicotando é esse outro eu que nos habita e que tem profundas relações com a vida emocional infantil, a criança em nós.

Se fizermos um corte apenas no momento presente podemos perceber que as pessoas apresentam uma sensibilidade corporal seletiva. Há partes do corpo que elas sentem mais, outras que sentem menos ou até partes que não sentem. Falo de sensação não apenas muscular, mas também visceral, de ondas de prazer e de emoção. Em toda neurose há uma certa anestesia do corpo. Sentindo mais o corpo, sentimos mais a angústia, a dor. O que é próprio do encouraçamento é justamente a diminuição da sensibilidade e da motilidade corporal. Uma forma de reduzir a dor profunda e a angústia através da diminuição da sensibilidade geral.

Couraças são mecanismos de proteção necessários para a integridade do ego ou da vida. Trabalhamos para atenuar a utilização de soluções anacrônicas, de recursos defensivos e protetores que foram fundamentais num determinado momento da vida do sujeito, geralmente em sua infância, quando seu ego era mais frágil, mas que atualmente poderia ter sido superados, mas ainda restringem a vida da pessoa.

No geral as couraças apresentam as seguintes funções:

  • Diminuem a vitalidade: respirando menos, sentimos menos.
  • Limitam a mobilidade e a motilidade, levando a um agir e sentir controlado através da diminuição e contenção das reações emocionais no corpo.
  • Estruturando o pensamento: crenças internas que reforçam as defesas: “Eu não mereço”, “eu não pertenço a este mundo”, “eu não confio em você”.
  • Estruturando a percepção: não percebo em mim o que não posso sentir. “Isto não é meu, é dele”; projeção.

As couraças levam a uma restrição motora, sensorial e emocional. A restrição sensorial leva diretamente a uma restrição perceptiva. Como diz Reich: “o organismo pode sentir somente o que ele por si mesmo expressa”. Não podemos perceber o que não podemos sentir e expressar em nós mesmos, ou, se percebemos, não conseguimos compreender. Quando calamos uma voz dentro de nós, temos dificuldade em ouvir esta voz vindo de outra pessoa.

Assim a couraça vai construindo um campo de coisas percebidas pela pessoa, organizando valores, um jeito de ser e responder às situações, e principalmente, uma visão de mundo.

A terapia reichiana se desenvolve a partir da relação cliente-terapeuta, utilizando-se de referências psicodinâmicas. Há uma organização do trabalho prático, das técnicas de mobilização corporal, que são feitas de acordo com os traços de caráter do cliente, das defesas utilizadas, das couraças ativas, etc. Apresenta tanto um caráter analítico, desconstrutivo das estruturas cristalizadas, como sintético e construtivo de modos de ser mais positivos e vitais.

Reich é um autor muito pouco lido e mal compreendido. Felizmente este panorama está se modificando, o que permite a um número maior de pessoas entrar em contato com um conhecimento tão rico e exemplar na profundidade com que aborda a vida emocional. É um conhecimento que integra as dimensões psíquicas, somática e energética numa concepção de ser humano que está faltando às ciências da saúde e ao universo terapêutico.

Os caminhos abertos por Reich oferecem-se para serem explorados, redescobertos e ampliados. A prática clínica reichiana fala por si, em seu eficaz trabalho a favor do maior de todos os valores: a vida.

* Artigo publicado pela Revista Catharsis n. 28 nov-dez 1999. Este texto serviu de base para palestra proferida na UNIBAN SP por ocasião da 2° Jornada de Psicologia em 16/09/97.

** Autor: Artur Thiago Scarpato : Psicólogo clínico (PUC SP). Mestre em Psicologia Clínica pela PUC SP. Possui quatro especializações na área de Psicologia: Especialização em Psicologia da Reabilitação pelo HC FMUSP, Especialização em Cinesiologia Psicológica pelo Instituto Sedes Sapientiae, Especialização em Teoria e Técnica Reichiana pelo Pulsar – Centro de Estudos Energéticos e Especialização em Educação Somática Existencial pelo Centro de Educação Somática Existencial. Trabalha em consultório particular com psicoterapia individual e de grupo. Autor de diversos artigos na área.

 

Notas:

O material aqui disponível pode ser reproduzido desde que se faça a referência do autor e da fonte.

 

Modo de citação sugerido:
Scarpato, Artur. A Psicossomática Reichiana. Revista Catharsis São Paulo, n. 28, nov-dez, 1999
.
Artur T. Scarpato – Psicologia Clínica – CRP 06/42113
Rua Artur de Azevedo, 1767
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Última atualização: 06/09/2016

Síndrome do Pânico: Uma abordagem Psicofísica

SEÇÃO ARTIGOS PARA PROFISSIONAIS

Síndrome do Pânico: Uma Abordagem Psicofísica *

Artigo publicado pela Revista Hermes do
Instituto Sedes Sapientiae SP, numero 3 1998.
Artur Thiago Scarpato**

Resumo:

O presente trabalho desenvolve uma concepção psicofísica do fenômeno da Síndrome do Pânico. Faz um paralelo entre a crise de pânico e o que Freud denominava Neurose de Angústia em 1895, comparando a reação de Pânico à reação de angústia. Explica a fase visual do desenvolvimento infantil e o papel da contração do anel visual como agente atuante nas futuras respostas de pânico. Explicita as relações entre as vivências precoces da criança e os processos de organização da consciência e de identificação com o corpo. Procura demonstrar a ordem implícita nas reações corporais das crises de pânico e seu significado emocional. Caracteriza alguns traços psicofísicos comuns às pessoas que desenvolvem Síndrome do Pânico, como a desorganização do anel visual, a contração crônica do diafragma e o pouco contato com a parte inferior do corpo. Explicita alguns modos de funcionamento destas pessoas nos períodos entre as crises. Propõe uma abordagem psicofísica de tratamento que leve em consideração todos estes fatores.

Abstract:

This works develops a psychophysical conception of the phenomenon of Panic Disorder. It draws a parallel betwen panic attacks and what Freud in 1895 named anxiety neurosis, comparing the response to panic with the response to anxiety. It explains the visual stage of infant development and the role of the contraction of the visual segment as an active agent in future responses to Panic. It makes clear the links between a child’s early experiences and the processes of organisation of the conscience and identification with the body. It aims to show the order implicit in the bodily reactions to panic attacks and its emotional significance. It characterizes certain psychophysical features common to people who develop Panic Disorder, such as disruption of the visual segment, the chronic contraction of the diaphragm and the reduced contact with the lower part of the body. It describes various forms of behaviour of these people in the periods between panic attacks. It proposes a psychophysical approach to treatment wich takes into consideration all of these factors.

“…pode irromper de repente na consciência sem ser despertado pelo curso da imaginação e provoca assim um ataque de angústia. Tal ataque pode constituir somente em sensação de angústia, não associada a nenhuma representação, ou ligada à idéia de morte ou loucura, ou também acompanhada de uma parestesia qualquer…ou unida à perturbação de uma ou mais funções físicas, tais como da respiração, da circulação, da inervação vasomotora ou da atividade glandular.

(…) Eis aqui uma relação das formas de ataque de angústia que até agora me são conhecidas:

a) Com perturbação da atividade cardíaca: palpitações, arritmias breves, taquicardia duradoura…

b) Com perturbação da respiração: formas diversas de dispnéia nervosa, ataques análogos ao do asma, etc….

c) Ataque de suor, às vezes noturno.

d) Ataques de tremores e convulsões…

e) Ataques de bulimia, acompanhados às vezes de vertigem.

f) Diarréias emergentes em forma de ataques

g) Ataques de vertigem locomotora.

h) Ataques das chamadas congestões…denominado neurastenia vasomotora.

i) Ataques de parestesia… “(1)

Estas palavras poderiam ter sido escritas este ano sobre a Síndrome do Pânico, porém foram escritas em torno de 1895 por Freud, ao falar do quadro que ele denominava “neurose de angústia”, em sua obra “A Neurastenia e a Neurose de Angústia”.

Analisaremos o conceito de angústia em Freud nesta época e sua relação com as crises de Pânico. Falaremos então, do conceito de fase visual de desenvolvimento na teoria reichiana e da contração energética do anel visual como fator importante para o desencadeamento da Síndrome do Pânico. Passaremos a uma caracterização dos traços psicofísicos principais que contribuem na resposta de Pânico. Por fim faremos uma proposta de intervenção terapêutica psicofísica voltada tanto para a superação das crises como para uma reorganização mais profunda da personalidade.

Segundo a visão de Freud neste período de sua obra, a angústia provinha de um excesso de energia sexual que não atingia o plano psíquico como representação erótica. Ao invés disto, manifestava-se ainda no plano somático sob a forma de angústia.

Pessoas que tinham uma vida sexual insatisfatória, sofriam de um acúmulo de energia que deixava de estar disponível ao ego. Esta energia ultrapassava a capacidade de integração egóica, tendo assim restrita sua passagem ao plano psíquico, transformando-se em angústia. Angústia era concebida como energia sexual não representável. Havia uma impossibilidade de representação psíquica da excitação sexual e emocional, tendo como conseqüência seu desdobramento em angústia.

Podemos apreender várias coisas da teorização freudiana. A mais importante neste contexto é a de que existe um nível de tolerabilidade a estímulos internos para o ego. Há um limite de excitabilidade emocional e energética suportável e integrável à dinâmica consciente; a partir deste patamar, há um risco de desorganização.

Há uma articulação afeto-representação no funcionamento emocional humano; a todo afeto se liga uma representação. Quando falamos de angústia estamos falando de emoção num estado mais puro, sem representação, no limite entre o biológico e o psíquico. Ultrapassada a capacidade de integração do ego, surge a angústia, como manifestação do limite, da ameaça de morte, do contato com o desconhecido. A angústia é a emoção que acompanha a aproximação do inconsciente, a invasão de conteúdos e emoções que ameaçam rupturas na identidade egóica. É a emoção do nada.

A experiência do Pânico é a experiência da angústia. Angústia pela inundação do ego por fluxos emocionais e energéticos que vêm produzir um abalo sísmico na fina superfície da consciência.

O Pânico reflete uma disparidade entre os planos consciente e inconsciente. Houve um estancamento na comunicação interna, a rigidez do ego anula a tão saudável permeabilidade intra-psíquica. A conseqüência é a ruptura do elo mais fraco; há uma rachadura no represamento do inconsciente por falta de vazão necessária; há uma inundação de águas sobre a consciência.

A brutalidade da Síndrome do Pânico parece ser proporcional à disparidade entre consciente e inconsciente.

A história de vida de cada um vai compondo uma paisagem singular, onde acontecimentos e vivências interiores deixam marcas significativas. Podemos delinear algumas destas marcas e relacioná-las a determinadas problemáticas. É o que faremos em relação à Síndrome do Pânico, identificando elementos comuns que reverberam nas pessoas que têm o Pânico como resposta às questões da vida.

 

A FASE VISUAL

 

O desenvolvimento emocional da criança passa por algumas fases; Reich chamou a primeira delas de fase visual. Esta fase está relacionada às vivências precoces da criança desde as primeiras horas de vida, tendo um limite difuso com a fase oral, apresentando fortes interpenetrações.

Esta fase está relacionada aos primeiros contatos que a criança estabelece com o mundo à sua volta através de seus tele-receptores: olhos, nariz e ouvidos. Os “tele-contatos” ocupam um lugar importante na dinâmica psíquica relacional, sendo que a visão vai fornecer as experiências mais estruturantes deste período.

A criança nasce em estado de fusão energética com a mãe e gradativamente vai se diferenciando para constituir-se como uma unidade energética independente. Algumas aquisições sensoriais e motoras da criança acompanham este processo de separação; entre elas, o desenvolvimento da visão binocular focal, isto é, a capacidade de convergir os dois olhos para formar uma imagem tridimensional dos objetos e discernir a figura do fundo.

O desenvolvimento do olhar está relacionado às primeiras experiências da criança no ambiente que a cerca, em suas buscas de satisfação, contato e orientação. O controle do movimento dos olhos talvez seja uma das primeiras manifestações motoras do ego nascente.

Podemos dizer que há uma gravitação das primeiras experiências da criança em torno da erogenicidade dos contatos visuais. Não pelo simples fato do olho ser uma zona erógena, afinal elas são muitas, mas da experiência visual ocupar um lugar central na dinâmica emocional neste período, de forma que as experiências físicas, cognitivas, afetivas e energéticas, estejam de alguma forma inter-relacionadas à ela, compondo uma certa organização. Isto nos permite falar da visualidade como um organizador psíquico; no mesmo sentido da oralidade, da analidade, etc. Assim também podemos falar de uma fase visual do desenvolvimento emocional.

Nos primeiros momentos de vida, a criança tem ainda poucos recursos internos para se proteger das agressões e das frustrações; suas reações são globais e envolvem a sua totalidade psicofísica.

Uma das formas de proteção possível nesta época é a contração energética de todo o organismo, o que no futuro, poderá contribuir no desenvolvimento das biopatias orgânicas, doenças com acentuada alteração somática. Outro recurso possível à criança, e pelo que parece, um pouco posterior ao primeiro, é a contração do anel visual, levando a uma clivagem entre as vivências corporais e psíquicas, entre sensação e percepção. O anel visual tem a função de integração destes níveis de vivência. Além desta função, está relacionado também à organização da consciência, orientação espaço-temporal, atenção, auto-percepção, contato e expressão emocional e discriminação de limites; todas estas funções sofrem algum tipo de alteração quando há encouraçamento do anel visual.

A contração energética do anel visual traz conseqüências importantes, presentes em diversos problemas emocionais, como as psicoses, os estados de desorganização psíquica, confusão, pânico, etc.

Nos períodos iniciais a criança é extremamente sensível aos estímulos que recebe. Um parto problemático ou um contato materno precário, com olhares frios e agressivos, podem repercutir profundamente naquele ser em suas primeiras experiências.

Uma passagem satisfatória pela fase visual conduz ao que o Dr. Dimas Calegari denomina de centramento da identidade energética. O centramento da identidade energética fornece à criança a sensação de ser ela mesma, identificada com seu próprio corpo e em processo de separação da mãe. Esta é a base sobre a qual a criança vai desenvolver suas singularidades existenciais, avançando em seu processo de diferenciação do mundo e do outro. Neste momento a criança estará estabelecendo sua base de confiança na vida, na qual poderá se entregar ao recolhimento e ao sono, com a garantia de que depois será recebida e acolhida em suas necessidades; de outro modo, poderá ficar alerta, ansiosamente paralisada a meio caminho entre a relação com a mãe e o recolhimento que se segue à satisfação, impossibilitada desta pulsação.

Algumas pessoas passam por esta fase sem um bom centramento de sua identidade energética, trazendo ao longo da vida marcadas tendências simbióticas de retorno à indiferenciação energética mãe-bebê. As vivências de rejeição materna precoce estão entre os principais desencadeadores destes problemas. Estas marcas iniciais poderão ser encobertas por mecanismos egóicos de defesa de fases posteriores do desenvolvimento. A pessoa pode levar a vida lançando mão de recursos egóicos mais maduros até que uma determinada conjunção de fatores venha a desequilibrar a camada superficial da personalidade, trazendo à tona estas problemáticas anteriores.

Parece ser este o caso das pessoas que desenvolvem Síndrome do Pânico. Apresentam uma falha estrutural na direção da simbiose. Quando há uma desestabilização na vida, o sistema entra em pane por falta de base. Falta o centramento da identidade energética, que possibilita a identificação com o corpo, elemento fundamental na estruturação egóica.

Quando falamos das primeiras vivências do bebê, abordamos um terreno obscuro, de registros mnêmicos anteriores à aquisição da palavra. As carências deste período não são acessíveis à interpretação verbal. Os melhores recursos são corporais, imagéticos, etc.

 

 

CARACTERIZAÇÃO PSICOFÍSICA

 

Podemos observar uma série de traços corporais próprios à Síndrome do Pânico. Isto não representa uma simples relação causal, como se determinado aspecto corporal fosse o agente causador de uma situação psíquica. As relações psique-corpo compõe-se de matizes muito mais ricas e complexas. Podemos falar de manifestações em níveis diferentes de um mesmo princípio original, sem que uma manifestação seja causa da outra, mas sim co-presentes, corpo-psique.

Existem alguns fatores que parecem contribuir para que algumas pessoas venham a apresentar Síndrome do Pânico: fatores psíquicos, energéticos e somáticos.

Pessoas com deslocamento superior de energia em conjunto com traços visuais parecem ser mais propensos a desenvolverem Pânico. O deslocamento superior caracteriza-se pelo pouco contato com a base (pés, pernas e quadril) e predomínio do movimento energético acima do diafragma.

O Pânico encontra possibilidades de deflagração num ego que traz marcas de dificuldades na integração da vivência corporal, tendências simbióticas e precariedade ao lidar com emoções e conteúdos internos.

Vamos observar a fenomenologia corporal da crise de Pânico.

Há um fluxo intenso de energia (emoção) em direção à cabeça, desorganizando a auto-percepção da pessoa. Na crise, o movimento energético é ascendente; a energia sobe, sai das pernas (tremor, medo de cair, insegurança) e vai em direção à cabeça. O diafragma se contrai (falta de ar, dificuldade de expirar, náuseas) acentuando o movimento ascendente. O coração dispara, há estreitamento da garganta (sufocamento) e inundação da cabeça (confusão, rubor na face, despersonalização, desorganização da percepção – contração profunda do anel visual). Há também uma contração energética no cerne do organismo e uma expansão desordenada do campo energético.

O fenômeno do Pânico assemelha-se a uma inundação da cabeça por emoções e estímulos além da capacidade de integração da consciência. Há um afluxo de tensão visceral que se irradia para a cabeça e para o campo energético sem conteúdo emocional passível de integração pelo ego.

As pessoas com Síndrome do Pânico apresentam algumas características muito freqüentes em seu funcionamento psicofísico:

  • Desorganização do anel visual, com prejuízos da visão binocular focal.
  • Contração crônica do diafragma, com o peito em posição inspiratória.
  • Pouco contato emocional com a parte inferior do corpo (abdome, quadril, pernas e pés).

Estes traços apresentam profundas intersecções com a dinâmica emocional; espelhando no plano somático, realidades psíquicas de significado profundo.

A pessoa com Síndrome do Pânico parece não estar bem enraizada em seu corpo. Apresenta um aspecto de reação de fuga, de afastamento do corpo. Afastamento dos sentimentos e das sensações. O verdadeiro perigo é interno, de invasão do inconsciente. Há dificuldade em centrar a energia no corpo. Há fragmentação da atenção, como se a pessoa estivesse “meio aqui e meio distante ao mesmo tempo”. A sensação de presença no mundo parece ficar um tanto indiferenciada, perdida.

A pessoa pode passar boa parte do tempo ansiosa, na expectativa de ter uma nova crise. O corpo representa uma ameaça para a pessoa. A tendência defensiva seria de proteção nos meandros do mundo mental e afastamento do corpo – fonte do desconforto e do caos. No entanto, a maior capacidade de suportar a “ansiedade antecipatória” acontece quanto mais identificado com o corpo a pessoa está. Haveria aí uma base para suportar a ansiedade.

A imagem mítica do Deus Pã pode nos iluminar na compreensão do Pânico. A origem da palavra pânico se baseia no terrível medo que sentiam os viajantes ao ouvirem gritos estranhos na floresta; supunham serem esses gritos sinais da aproximação de Pã. Em algumas representações este Deus tem um corpo híbrido, metade animal, metade homem. É inevitável a associação desta imagem ao estado de uma pessoa em crise de pânico. O grande perigo ameaçador está na parte inconsciente e animal não integrada à consciência. Pã simbolizando a natureza, o corpo, a sexualidade, a agressividade…aspectos mais distantes da identidade racional consciente.

Reich percebeu a fragmentação emocional do homem moderno e forjou uma imagem onde o ser humano está divido em três partes: o Homem, Deus e Diabo, que podemos associar respectivamente, à Cabeça, ao Peito e ao Quadril. O quadril como fonte da energia sexual, o abdome como reservatório da maldade, enfim, entre múltiplos sentidos, as partes mais distantes do ego, a sede do Diabo, a morada de Pã.

 

A TERAPIA NA SÍNDROME DO PÂNICO

 

Existem três pilares do trabalho corporal no tratamento da Síndrome do Pânico: o desenvolvimento do contato com a base (pés, pernas, quadril), a soltura do diafragma e a mobilização do anel visual.

A passagem do estado de contração crônica do cerne do anel visual para o de pulsação é dinamizado pela utilização de técnicas específicas de ativação deste anel. Uma das técnicas utiliza-se de uma luz que o cliente deve seguir com os olhos, que se afasta e se aproxima da ponta de seu nariz, ativando simultaneamente a convergência binocular, a visão macular, a concentração da atenção e o centramento de sua energia. Neste processo pode ocorrer também a liberação de afetos trazidos pela mobilização do olhar. Esse é um dos caminhos para restaurar a pulsação desse anel e suas funções, onde estaremos catalisando a integração psique-soma e buscando atingir registros psíquicos precoces relacionados a vivências simbióticas.

A liberação do diafragma é alcançada através de exercícios de respiração abdominal, ampliação da capacidade expiratória e toques profundos.

O trabalho com o diafragma possibilita maior fluxo energético para a parte inferior do corpo. Isto contribuirá na expansão do organismo abrindo outros caminhos de descarga energética, ativando, entre outras coisas, o peristaltismo, melhorando o contato com a base e trazendo possibilidade de tranqüilização e alívio da sobrecarga energética-emocional ascendente.

O contato com a base é desenvolvido em exercícios de contato com as pernas, pés e quadril que permitam maior mobilidade energética e sensibilidade. Exercícios de “grounding”, alongamentos, atenção dirigida, etc.

O trabalho com a base mobiliza o “estar na realidade”, o sentimento de segurança e, juntamente com as outras duas técnicas, facilita a integração de sensações e emoções sexuais e agressivas.

Ao propormos os exercícios precisamos estar o tempo todo atentos às vivências do cliente. Não se trata de exercícios físicos, mas psicofísicos, onde contamos com um setting adequado, uma relação terapêutica, uma disposição psíquica e uma mobilização do corpo.

A pessoa com Pânico tem dificuldade em fazer a integração entre as suas sensações corporais e o significado que estas possam ter, parecendo tudo “sem sentido”, como reações de “enlouquecimento do corpo”. Cria-se um estado de desorientação interna e confusão sobre o que está acontecendo. Um dos objetivos do tratamento é ajudar a pessoa a retomar sua identificação com o corpo, reintegrando as suas sensações e emoções. Estamos trabalhando neste momento com a retomada da auto-percepção, integrando as vivências corporais e psíquicas, mobilizando o anel visual.

O estado de angústia é acompanhado por uma dilatação das pupilas, divergência binocular e predominância da visão do campo. Neste estado, a atenção está difusa e a pessoa tem dificuldade em concentrar-se. Podemos observar que a pessoa em pânico tem muita dificuldade em convergir os dois olhos num mesmo ponto, assim como em discriminar a visão macular da visão do campo da retina, isto é, realçar a figura do fundo.

O desenvolvimento da visão binocular convergente focal unida à capacidade de estar em contato com a sensação do olhar traz várias alterações significativas: acentua a sensação corporal, torna os limites do corpo mais nítidos, equilibra o tônus muscular, aumenta a coesão do campo energético, ajuda a expandir o cerne energético, contribui para a identificação com o corpo, traz a pessoa para o aqui e agora e diminui a ansiedade.

A terapia com estes pacientes caminha na direção da reorganização da personalidade. O paciente com Pânico, inundado por emoções além da capacidade de integração do ego, precisa de recursos para lidar com esta situação. Trabalhamos para acentuar a identificação com o corpo, focalizar e centrar a atenção, afinar as discriminações eu-mundo, adquirir uma compreensão coerente sobre as reações do próprio corpo, ampliando os recursos internos.

Posteriormente, e acentuando-se com o decréscimo das crises, passamos a trabalhar com conteúdos mais profundos, buscando trazer as emoções que antes causaram desorganização para agora poderem ser elaboradas. Este momento é semelhante à abordagem psicoterápica desenvolvida com outros pacientes sem queixa específica. Norteia-se pela estrutura de caráter do paciente e constitui um ponto muito significativo do processo. É o momento de contato com as angústias, com as dores, de mudanças profundas da personalidade; de abandonar as estruturas cristalizadas e arriscar novas possibilidades de vida.

Na experiência clínica com esta metodologia de trabalho, podemos observar que a pessoa deixa de ter as crises em pouco tempo de terapia. A questão crítica passa a ser não mais o Pânico – objetivo superado através da técnica – mas a sensibilização, conscientização e mobilização das questões psicodinâmicas envolvidas, visando mudanças mais profundas da personalidade e assim poder abandonar o fantasma das recaídas.

Um dos critérios importantes ao avaliar-se um tratamento para a Síndrome do Pânico é a sua eficácia na prevenção de futuras recaídas. Pesquisas(2)demonstram que a possibilidade de recaídas é menor quando há intervenção psicológica do que quando o tratamento utilizado é apenas medicamentoso. Pesquisas futuras poderão avaliar a contribuição de uma abordagem psicofísica, como é a perspectiva reichiana, comparada a outras formas de tratamento.

Este trabalho está baseado no trabalho clínico com alguns pacientes em consultório particular. Utiliza-se de uma amostra qualitativamente significativa, pela profundidade do contato, observação e acompanhamento do processo do cliente, e por outro lado numa amostra quantitativamente pequena. Outras pesquisas poderão contribuir neste processo de ampliação do campo terapêutico da Síndrome do Pânico segundo a ótica reichiana.

 

CONCLUSÃO:

 

Consideramos este trabalho como uma proposta terapêutica onde a abordagem sintomática não seja incongruente com uma perspectiva psicodinâmica, mas ao contrário, procure integrá-las dentro de uma compreensão mais ampla, visando superar as problemáticas cisões psique – soma, sintoma – conflito, etc. Um trabalho que objetiva equilibrar a dinâmica energética da pessoa atingindo-a em sua dimensão psíquica, vivencial e inconsciente.

A perspectiva desenvolvida é eminentemente psicossomática concebendo psique e soma como elementos intrínsecos de uma unidade funcional. As técnicas psicofísicas contribuem na mobilização da imagem corporal, na ativação energética e no processo de integração emocional. Por todos estes motivos pode constituir-se num recurso valioso na terapêutica da Síndrome do Pânico.

Notas:

*Este texto pode ser parcialmente reproduzido desde que se faça a referência do autor e da fonte.

Modo de citação sugerido: 

Scarpato, Artur. Síndrome do Pânico:uma Abordagem Psicofísica, Revista Hermes, São Paulo, numero 3, 1998.

 

**Autor: Artur Thiago Scarpato : Psicólogo clínico (PUC SP). Mestre em Psicologia Clínica pela PUC SP. Possui quatro especializações na área de Psicologia: Especialização em Psicologia da Reabilitação pelo HC FMUSP, Especialização em Cinesiologia Psicológica pelo Instituto Sedes Sapientiae, Especialização em Teoria e Técnica Reichiana pelo Pulsar – Centro de Estudos Energéticos e Especialização em Educação Somática Existencial pelo Centro de Educação Somática Existencial. Trabalha em consultório particular com psicoterapia individual e de grupo. Autor de diversos artigos na área.

 

Referências:

1 –Freud, S., La Neurastenia y la Neurosis de Angustia (Sobre la Justificación de Separar de la Neurastenia Cierto Complejo de Síntomas a Título de “Neurosis de Angustia”) in: Obras Completas, Editorial Biblioteca Nueva, 1981, Madrid, vol I, p 184-185.

2 cf. National Institutes of Mental Health, Treatment of Panic Disorder, NIH Consens Statement Online 1991, Sep 25-27;9(2):1-24.

 

* Este texto pode ser parcialmente reproduzido desde que se faça a referência do autor e da fonte.

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