Da Ansiedade à Tranquilidade: Descarga e Regulação Emocional

Toda emoção ocorre como uma onda, com começo, meio e fim. A onda emocional cresce, alcança um pico de intensidade e começa a diminuir, até se dissolver. A tristeza vem, alcança seu zênite, diminui e passa. Porém, em algumas situações, as emoções não vão embora e ficam como um estado constante, como uma tristeza sempre presente, um medo que sempre ronda… Uma das funções do trabalho de regulação emocional é ajudar o organismo a sair deste estado cristalizado de ativação. É necessário promover a descarga da tensão emocional, para que a tristeza dê lugar a serenidade, para que o medo dê lugar a calma.

Um fenômeno comum nos Transtornos de Ansiedade é uma dificuldade desta descarga. Quando a onda de ansiedade/medo poderia começar a baixar, ela sobe novamente, quando poderia descarregar, reativa e sobe. Assim a pessoa não acalma nunca, não descarrega a tensão emocional.

Este processo é influenciado por um fenômeno denominado kindling, em que o cérebro fica sensibilizado a disparar repostas de ansiedade cada vez mais facilmente. No momento em que a emoção começaria a baixar, surge um novo disparador que impede a descida. Este disparador pode ser um pensamento negativo, uma fantasia catastrófica, um medo de relaxar e perder o controle. Assim a pessoa permanece ansiosa sem ter experimentado realmente alívio e calma.

Para descarregar a tensão o corpo dispõe de reações ancestrais de tremores e movimentos involuntários. Neste momento, se o sujeito não se entrega a estas reações involuntárias, impede o processo de autorregulação somática. O medo do descontrole inibe as respostas que seriam necessárias para completar a onda emocional.

No trabalho com os transtornos de ansiedade precisamos restaurar a capacidade regulação emocional, ajudando a completar a onda emocional, de carga seguida de descarga, de tensão seguida de relaxamento, com atenção especial aos processos involuntários de descarga. Para isso exploramos estratégias, técnicas e recursos para ajudar a completar respostas de descarga, saindo do estado crônico de tensão e ansiedade.

por Artur Scarpato.

A regulação emocional através da convergência binocular

Uma crise de pânico é um estado de hiperativação autonômica, com sintomas de aceleração dos batimentos cardíacos, dificuldade de respirar, transpiração, tremores etc.

Existem técnicas que ajudam a diminuir estes sintomas, regulando o sistema nervoso desequilibrado. Exercícios de respiração abdominal lenta e pausada, por exemplo, são clássicos na diminuição dos sintomas de pânico, por reduzirem os sintomas de hiperventilação.

Há outro recurso precioso a ser utilizado em situações de ansiedade, podendo ajudar tanto nas situações de ansiedade antecipatória como no início de uma crise de pânico. São técnicas específicas de convergência binocular. Entre outros efeitos, estas técnicas ativam o reflexo oculocardíaco, que promove uma ativação do ramo ventral do nervo vago, com consequente incremento na atividade parassimpática.

As técnicas de convergência binocular reduzem os batimentos cardíacos, aumentam a sensação de presença e promovem um estado de calma. Seu aprendizado deve ser feito em consultório, para depois poder ser praticado sempre que a ansiedade aumentar.

A prática clínica tem demonstrado bons resultados das técnicas de convergência binocular no processo de regulação da ansiedade. Devemos sempre lembrar que uma das principais metas do tratamento da Síndrome do Pânico é aumentar a capacidade de regulação emocional.

por Artur Scarpato