Blog: O Estranho que Me Habita

A Ansiedade e seus Transtornos: Síndrome do Pânico, Ansiedade Social, Estresse Pós-Traumático, Fobia Social e TAG – Transtorno de Ansiedade Generalizada. 

O Quarto do Medo

Imagine um quarto especial em que você sente ansiedade assim que entra. Enquanto estiver no quarto, a ansiedade não passa, podendo ficar mais ou menos intensa, mas sempre presente e sem nenhum motivo aparente.

Ficando neste quarto você pode perceber os tumultos em seu corpo como a aceleração do coração, a respiração ofegante, o suor frio, o tremor; percebe sua mente desligando ou acelerando e imaginando vários perigos que poderiam lhe ocorrer, sente insegurança, vulnerabilidade e um desejo de sair rápido dali…

É um quarto especial, capaz de produzir ansiedade em qualquer um que entrar.

Este quarto foi imaginado para pessoas que Síndrome do Pânico e por uma razão.

As pessoas com um Transtorno de Ansiedade como a Síndrome do Pânico costumam apresentar Sensibilidade à Ansiedade (Anxiety Sensitivity), que é um medo dos sintomas de ansiedade como se estes pudessem ser perigosos e danosos. A partir deste medo elas desenvolvem mil estratégias de evitação e tentativas de controle que só pioram a situação, gerando ainda mais ansiedade.

Vamos imaginar um Quarto do Medo programável, permitindo num dia focar a atenção nos sintomas físicos da ansiedade, como as alterações cardíacas, respiratórias, térmicas, musculares, etc.

Em outro dia o foco pode ser nos pensamentos negativos, nos cenários temidos e nas fantasias catastróficas.

O objetivo de se frequentar o Quarto do Medo é aprender a transformar a relação com os sintomas da ansiedade. Aprende-se a perder o medo das reações do corpo e a enfraquecer os pensamentos catastróficos negativos.

A estratégia é ir atrás dos fantasmas para encará-los de frente, ao invés de continuar fugindo deles. Mesmo parecendo paradoxal, encarar assim a ansiedade tem por efeito diminuí-la.

As visitas ao Quarto do Medo devem ser graduais. A pessoa escolhe quando entrar e tem liberdade para sair quando quiser. A intenção não é produzir uma avalanche de reações que poderiam retraumatizar, trazendo um sentimento de derrota e reforçando e evitação. Tem que se expor gradualmente, um pouco mais a cada dia, sem inundação, aumentando a janela de tolerância e resignificando a experiência.

O segredo está na atitude mental de observação com aceitação e no respeito ao caminhar devagar, passo a passo.

por Artur Scarpato

Trauma e Janela de Tolerância: o campo produtivo entre o caos e a paralisia.

Uma experiência traumática pode afetar a capacidade posterior de uma pessoa lidar com sua excitação interna – sejam suas reações corporais, emoções ou sentimentos.

Frequentemente as pessoas traumatizadas ficam com uma pequena Janela de Tolerância.

A Janela de Tolerância é o quanto de excitação física e emocional uma pessoa consegue lidar de modo integrado, sem se desregular, sem congelar e nem dissociar.

Podemos pensar na janela de tolerância como uma faixa produtiva entre duas margens problemáticas. Quando a janela de tolerância se estreita, a pessoa entra num dos extremos, de caos ou paralisia.

Na margem de cima, quando a excitação vai além da capacidade de integração, pode surgir descontrole, impulsividade e inundação emocional, com acessos de ansiedade, raiva e/ou choro.

No outro extremo, há mecanismos que buscam uma restrição radical da excitação, surgindo anestesia, depressão, perda de vitalidade e lentificação.

É somente entre as duas margens da janela de tolerância que a experiência interna pode ser assimilada e integrada. Neste estado de integração há possibilidade de uma articulação coerente entre sensações, sentimentos, pensamentos e ações.

A psicoterapia deve trabalhar ampliando esta faixa produtiva da Janela de Tolerância, ajudando tanto na assimilação do excessivo como no descongelamento da rigidez. Assim é possível sair tanto da desorganização caótica da alta exitação como do congelamento defensivo da imobilidade, duas consequências comuns do trauma.

por Artur Scarpato

Destravar o Estado de “Fuga sem Saída”.

As sensações de uma crise de pânico são como a de se sentir ameaçado mas sem escapatória. Há ativação de repostas corporais de fuga mas ao mesmo tempo há paralisia, gerando uma sensação de aprisionamento, impotência e desespero.

Neste estado “travado”, de fuga sem saída, a mente se projeta para o futuro, imaginando consequências catastróficas: vou morrer, vou enlouquecer, vou perder o controle… A imaginação de um cenário trágico futuro ativa ainda mais respostas de ansiedade, num corpo que já está congelado numa mistura de urgência de fuga com desorientação e paralisia.

O primeiro passo é poder identificar o que acontece através de uma auto-observação que aceita o que ocorre dentro de si. Não há um perigo real, mas um sensação de medo travado, que não consegue escapar, que não consegue avançar nem fugir. É importante aprender como este estado interno não é perigoso, para que assim se pare de gerar mais ansiedade com os pensamentos catastróficos negativos.

Em seguida deixamos de lado os pensamentos negativos e nos voltamos para as respostas somáticas. Através da atenção ao que acontece no corpo, buscamos acolher as reações, regular os estados internos e destravar o medo paralisante. É importante identificar e completar, mesmo que na imaginação, respostas somáticas inacabadas de fuga como correr, empurrar, desviar, gritar, chorar etc. Assim as respostas somáticas incompletas vão encontrando solução e o estado emocional ativado de ameaça vai se dissolvendo.

A pessoa com pânico se sente aprisionada numa reação de medo “inescapável”, o que gera um forte sentimento de impotência e confusão. Para sair disto, precisamos reconhecer, aceitar, regular e liberar o estado congelado de fuga sem saída.

por Artur Scarpato

PÂNICO SEM PÂNICO: A PREPARAÇÃO PARA LIDAR COM AS CRISES DE PÂNICO

As crises de pânico – ou ataques de pânico – podem ser experiências traumáticas. A pessoa ficou traumatizada pelo modo como viveu a crise de pânico, com uma sensação de desorientação, descontrole e catástrofe iminente. A partir deste trauma ela passa a viver com uma expectativa ansiosa de ter uma nova crise de pânico, com medo de sentir o descontrole e o terror que sentiu daquela vez, acentuado por fantasias catastróficas de que a próxima crise pode ser ainda pior.

Neste estado traumatizado, qualquer reação interna parece indicar um possível retorno do monstro, daquela experiência tão temida.

A visão do futuro fica limitada pelo trauma passado, um tormento constante de monitoramento das reações do corpo e pensamentos catastróficos, deixando a pessoa sentindo-se sempre vulnerável. Qualquer sinal do corpo parece indicar o surgimento daquela ameaça terrível.

O desafio para quem tem pânico é se preparar para lidar com as crises. As primeiras crises se tornaram traumáticas por pegarem a pessoa desprevenida e despreparada, levando-a um estado de pavor e pânico. Para interromper a repetição das crises de pânico, é necessário uma preparação, com uma nova atitude para enfrentar as ondas de ansiedade.

É importante aprender a ficar mentalmente presente e observar as reações de ansiedade exatamente como elas realmente acontecem e não como a mente fantasia que elas possam se tornar. Esta diferença é essencial. Estar preparado para observar as reações de ansiedade no presente, e não, a olhar as reações esperando o pior – um futuro que seja repetição do passado traumático.

Quando sente os primeiros sintomas, o trauma das primeiras crises deixa a pessoa com medo do que possa vir. Ela não fica presente, observando o que sente, mas começa a imaginar o pior cenário e assim gera mais ansiedade, se apavorando com o que sente e perpetuando o ciclo das crises de pânico.

Quando se consegue realmente a aceitar as reações de ansiedade, torna-se possível viver as crises sem medo, sem pavor, aceitando o desconforto, sem se deixar levar pelos pensamentos catastróficos. Na verdade nunca houve uma catástrofe real, mas uma experiência emocional intensa de medo e desorientação nas primeiras crises, que deixaram a pessoa com pavor de que aquilo pudesse se repetir ou se transformar em algo ainda pior.

A partir do momento que se sabe o que é uma crise de pânico, que se consegue ficar presente no centro da consciência observando as reações, é possível atravessar qualquer “crise de pânico” sem entrar em pânico, sem se apavorar.

Este é o verdadeiro estado de Pânico sem Pânico. A partir daí as crises de pânico vão desaparecendo, interrompendo assim seus ciclos automáticos.

Através de uma psicoterapia especializada fazemos um treinamento formal com técnicas específicas, preparando a pessoa para lidar e superar suas crises de pânico.

por: Artur Scarpato

Observar e Aceitar para Perder o Medo de Sentir Medo

Os ataques de pânico são episódios de intensa ansiedade acompanhadas de reações corporais, pensamentos catastróficos e sentimentos de desamparo.

Geralmente, durante um ataque de pânico a pessoa imagina catastroficamente que suas reações sairão dos limites de uma simples reação emocional, transformando-se em algo muito pior como morte súbita, perda de controle irreversível, enlouquecimento etc. Apesar deste transbordamento nunca ocorrer, ele é sempre fantasiado e temido.

É como se alguém se sentisse a beira de uma abismo, podendo cair a qualquer momento, apesar de nunca cair pois este abismo é somente uma projeção do cinema 3D da mente.

Os ataques de pânico nunca ultrapassam o limite de uma forte reação emocional, não levam a loucura, não matam e sempre, sempre passam. Enquanto se teme estes cenários castróficos, se alimenta as reações de ansiedade, gerando mais ansiedade e aumentando a intolerância em sentir estas reações.

O desafio é aprender a olhar as reações no ataque de pânico como elas são, e não pelo cenário catastrófico que os pensamentos negativos imaginam que elas poderiam se tornar.

Através de práticas de atenção centrada e serena é possível encontrar a familiaridade dos ataques de pânico, nas reações que se repetem e nunca ultrapassam os limites de uma reação emocional, nem mais, nem menos.

Para isto é necessário praticar uma observação centrada e neutra da experiência interna, com uma atitude de aceitação e curiosidade. Em nossa prática começamos fortalecendo a atenção observando elementos neutros, como a respiração nas narinas, para depois de algumas semanas passar a observar os sintomas de ansiedade, mantendo a mesma atitude centrada de aceitação.

É importante que o centro da atenção – o “eu que observa” – possa se diferenciar dos pensamentos automáticos. Assim, no meio do caos de um ataque de pânico, o centro de atenção pode permanecer sereno, observando a turbulência interna, esperando ela passar, sem ser levado pelos pensamentos automáticos negativos e sem ativar o pavor de querer fugir daquele estado.

Neste processo, os ataques de pânico vão deixando de ser alimentados pelo medo de sentir medo. Com a prática desta atenção centrada e serena, os ataques de pânico vão se tornando suportáveis, diminuindo sua intensidade e deixando de ser vividos como uma ameaça de rompimento das fronteiras do eu.

Flexibilizar a Atenção para Regular a Ansiedade

O processo de atenção tem relação direta com o estado emocional. Na ansiedade, a mente funciona em estado de alerta, buscando qualquer coisa que possa representar risco e ameaça, seja algo vindo do mundo externo ou de dentro do indivíduo. Neste estado, predomina uma atenção estreita e distanciadora, quando a mente tenta localizar e afastar possíveis ameaças.

Identificamos este modo de atenção nos estados de estresse crônico e nos Transtornos de Ansiedade como Síndrome do Pânico, Fobia Social e Transtorno de Ansiedade Generalizada.

O funcionamento de uma atenção estreita e distanciadora é evidente no modo com que uma pessoa com Síndrome do Pânico se relaciona com as reações em seu corpo. Ela monitora e fica aflita com o que sente, interpretando cada reação como prenúncio de um caos interno que pode eclodir a qualquer momento.

Há um estreitamento no foco de atenção – como se aquilo fosse a única coisa que importasse – e um distanciamento, no qual há uma tentativa de afastar e “se livrar” daquilo que acontece dentro de si.

Nos Transtornos de Ansiedade este modo de atenção estreita e distanciadora tende a se cronificar, contribuindo para a manutenção de um estado ansioso, alerta e tenso que não se relaxa nunca.

Assim como a ansiedade se acompanha de um modo particular de organização da atenção, a cronificação deste modo de atenção contribui para manutenção do estado ansioso.

Um caminho importante para sair do estado de ansiedade cronificado é trabalhar diretamente para flexibilizar o processo da atenção, ativando outros modos de funcionamento atencional.

Através da ativação de um modo de atenção aberto e imersivo, criamos um foco aberto de atenção que recebe e inclui as reações de ansiedade num campo atencional maior sem se fechar sobre a “ameaça”. Ao mesmo tempo, através de um modo imersivo busca-se aceitar – ao invés de afastar – o que é sentido.

Assim é possível interromper a luta contra as reações internas “perigosas” que geram tensão e mantém o aprisionamento na ansiedade. Quando se para de brigar contra os sinais da ansiedade – sejam reações físicas ou pensamentos negativos – a ansiedade diminui e retorna para os limites assimiláveis da janela de tolerância.

A mudança de um modo crônico de atenção estreita e distanciadora para um modo de atenção aberta e imersiva permite uma reorganização do padrão crônico de ansiedade. Assim se pode superar da sensação de caos iminente das crises de ansiedade e atenuar significativamente os níveis de sofrimento duradouro.

Em nosso trabalho de flexibilização dos modos de atenção utilizamos a metodologia de “Open Focus Attention Training” desenvolvidos pelo Dr Lester Fehmi, entre outros recursos.

A emoção sem história e a história sem emoção: os traumas na raiz dos transtornos de ansiedade.

Numa situação traumática a mente busca se proteger através de mecanismos para limitar os efeitos caóticos da dor e do sofrimento psicológico. Um destes mecanismo é a dissociação entre emoção e cognição.

A dissociação pode permanecer por anos e a pessoa pode se lembrar do que ocorreu mas sem sentir nenhuma emoção com a lembrança. Ou ao contrário, pode ter intensas reações emocionais mas sem lembrar da situação traumática que originou estas reações.

Os traumas estão na raiz de muitos problemas psicológicos que vão se manifestar posteriormente de modos distintos e vão receber diagnósticos diferentes, apesar de sua raiz comum. Muitos casos de depressão e transtornos de ansiedade, por exemplo, derivam de experiências traumáticas. Estes traumas podem ficar aparentemente adormecidos dentro da pessoa até serem ativados por experiências posteriores que reverberam aquela mesma problemática e disparam uma nova expressão para o sofrimento.

Quando vamos investigar casos de fobia social, por exemplo, comumente vemos que a emoção atual de ansiedade é uma reativação de emoções de experiências traumáticas que estavam dissociadas, como experiências traumáticas de humilhação, vergonha, bullying, rejeição etc.

Em casos de Síndrome do Pânico e Agorafobia frequentemente encontramos experiências traumáticas de violência, perda, abandono, separação etc.

A experiência emocional dissociada permanece em segundo plano como combustível alimentando os sintomas atuais.

Nos casos mais difíceis, que respondem mais lentamente ao tratamento, traumas complexos do passados tem presença importante. O sofrimento atual não pode ser totalmente resolvido enquanto não se integra as experiências traumáticas cindidas. Conforme avançamos no processo psicoterapêutico, os elementos cindidos voltam a se integrar, a memória emocional se conecta com a memória narrativa do que foi vivido.

A integração entre a história de vida e a reação emocional – entre cognição e emoção – é que vai permitir a pessoa superar seu sofrimento atual, sua depressão, sua fobia, seu pânico, seu trauma.

Tratamento Psicológico como Primeira Opção

A Psicologia tem evoluído significativamente no desenvolvimentos de técnicas e abordagens com eficácia comprovada no tratamento de diferentes problemas mentais. Um fato importante que ilustra esta evolução ocorreu na Inglaterra no ano passado.

No início de 2014, o Instituto Nacional para a Saúde e Excelência em Cuidados (NICE, em inglês), órgão oficial do governo inglês, publicou as novas diretrizes para o tratamento de vários transtornos mentais. A partir de agora, para diversos transtornos mentais, o tratamento psicológico é a primeira opção de tratamento, tendo precedência sobre os tratamentos medicamentosos.

Segundo o NICE, entre os transtornos que devem ser tratados preferencialmente com tratamento psicológico estão todos os Transtornos de Ansiedade como Pânico, Fobia Social, Estresse Pós Traumático, Transtorno de Ansiedade Generalizada, Transtorno Obsessivo Compulsivo e Transtorno Dismórfico Corporal.

Esta é uma mudança importante, reconhecendo o avanço das teorias e técnicas desenvolvidas nas últimas décadas. Os resultados positivos dos tratamentos psicológicos se mostram cada vez evidentes e consistentes, tornando-se agora o tratamento padrão para os transtornos de ansiedade.

É importante que cada vez mais pessoas na população possam se beneficiar destes avanços nas técnicas psicológicas e que um contingente maior de psicólogos possam ser treinados nestas abordagens eficazes.

Você pode ler o anúncio das novas diretrizes do NICE para os Transtornos de Ansiedade (em inglês) aqui.

Pânico, Excitação Fisiológica e Sentimentos Profundos

Toda pessoa com um Transtorno de Ansiedade como o Transtorno do Pânico costuma apresentar hipersensibilidade a ansiedade, que é um processo de intolerância na qual as reações físicas ou psicológicas que acompanham a ansiedade são vividas de modo aflitivo e interpretadas como perigosas.

É comum o sujeito ficar com medo e aflito com sua excitação fisiológica como batimentos cardíacos, sensações respiratórias, tremores, suor, tontura etc. Esta “hipersensibilidade” leva a tentativas de se livrar das reações ou a se tentar tudo evitar senti-las novamente, como se elas fossem terríveis, abomináveis. Há um aprisionamento num processo de aflição – evitação.

As reações corporais temidas despertam ansiedade e pensamentos negativos sobre o que se sente. Porém a ansiedade gera mais reações físicas e estas levam a mais pensamentos negativos, num redemoinho sem fim. A pessoa fica aprisionada, tentando evitar o inevitável, pois junto da emoção de ansiedade – assim como de qualquer emoção – sempre haverá excitação fisiológica.

Algumas abordagens de tratamento tentam calar esta voz do corpo, com medicações excessivas ou “técnicas de controle da ansiedade”. No entanto quanto mais se tenta abafar a voz do corpo, mais ele se revolta e grita, pois não se pode calar aquilo que a própria atitude de aversão e medo estão acentuando. Não se vence o medo com mais medo.

Há um caminho terapêutico. É necessário construir uma atitude de enfrentamento do que se sente. Esta nova atitude começa com o cultivo da atenção plena, do claro entendimento e da força interna para fazer a travessia necessária. Este enfrentamento é mais fácil quando feito através de uma estratégia terapêutica planejada e apoiada numa relação profissional de confiança.

Devemos frisar que o cerne do problema da insegurança e ansiedade não está naquelas reações do corpo. A raiz do problema está em sentimentos de desamparo e vulnerabilidade que tem raízes em traumas vividos em outros momentos da vida.

É neste ponto mais profundo que precisamos chegar para que a pessoa enfrente dores que no passado foram intoleráveis, angústias que não podiam ser nomeadas e seus grandes desafios existenciais. Estes elementos agora poderão ser reencontrados, elaborados, assimilados e integrados, permitindo que a pessoa possa se transformar para seguir mais plena em sua vida.

Enquanto não fizer a travessia do enfrentamento das reações superficiais de ansiedade, a pessoa pode ficar anos de sua vida vivendo de modo limitado, com medo das reações físicas, achando que controlar o corpo é suficiente para ficar bom, enquanto o problema está num lugar mais profundo.

É necessário mirar e atingir o alvo certo para evitar o desperdício de tempo, de anos de vida em lutas improdutivas.

O lado positivo da ansiedade

A ansiedade não é boa nem ruim. É uma emoção, um estado mental e corporal que se ativa sempre que nossa mente avalia uma situação como tendo riscos potenciais. O disparador pode ser o pressentimento de algo incerto ou a antecipação de uma situação futura temida.

Há um lado positivo na ansiedade. Podemos imaginar, por exemplo, a ansiedade que antecede uma apresentação numa reunião de trabalho ou a participação numa competição esportiva. A ansiedade tem um papel relevante na preparação para o enfrentamento destas situações, ativando a máxima utilização dos recursos internos para um bom desempenho.

Pouca ansiedade poderia levar a uma atitude de negligência e a uma preparação insuficiente para se obter bons resultados.

Um grau ótimo de ansiedade, por seu lado, ativa um estado de alerta e prontidão adequados, preparando a pessoa para lidar bem com desafios que podem se apresentar.

Quando a ansiedade é excessiva, por outro lado, pode haver paralisia, descontrole e comprometimento da performance.

Geralmente o excesso de ansiedade decorre de se exagerar na avaliação dos riscos envolvidos e de se subavaliar os recursos internos para se lidar com a situação. Outro fator importante para uma experiência de ansiedade excessiva é quando a pessoa está ansiosa mas acredita que “deveria” estar calma. Por não aceitar e não tolerar sentir ansiedade ela passa a entrar em conflito, a brigar com o que está sentindo e acaba ficando ainda mais ansiosa.

É fundamental aprender a tolerar certo nível de tensão e ansiedade que é natural em qualquer situação desafiadora.

Aprender a lidar com a ansiedade e saber agir sob seu efeito é um recurso importante para se obter bons resultados nas diversas situações da vida.